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Crónicas do Quintal

Blog sobre o que se vai passando neste nosso "quintal"

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Crónicas do Quintal

26
Out16

A liberdade de Imprensa

João Mateus

A nossa liberdade depende da liberdade de imprensa

E ela não pode ser limitada sem ser perdida

Thomas Jefferson

 

Porque partilho deste pensamento de Thomas Jefferson, hoje decidi falar-vos de liberdade de imprensa, mesmo correndo o risco de, por alguns ser apelidado de reaccionário, e não passem já ao post seguinte pois nem sequer vou tomar-vos muito tempo.

Eu sou, digamos, um fruto do fascismo, essa “coisa” que muitos querem fazer crer que nunca existiu em Portugal, mas porque fui “criado” por um padrinho que esteve presente em França na 1ª. Guerra Mundial, desde muito cedo fui habituado a ler jornais (não importava a data) e tudo quanto me aparecesse pela frente, por isso desde muito novo foi habituado a ler e logo, uma vítima da censura então vigente.

Mas da mesma maneira que fui habituado a ler também fui sendo avisado “atenção aquilo que lês, procura ler nas entrelinhas e nunca te esqueças que ler é interpretar o que está escrito”.

Por tudo isto, comecei a observar que os jornais de então se dava notícia de desgraças lá fora, já no que dizia respeito a cá as coisas eram todas maravilhosas, ao mesmo tempo que eu vivia naquilo que, para mim, era a mais perfeita miséria, os meus pais eram ambos trabalhadores rurais, não tinham nada de seu, engordava-se o porco para vender e depois íamos à mercearia, comprar o que de mais barato resultava do porco, uma sardinha tinha que chegar para dois e estávamos sempre a ver quem é que ficava com o rabo (isto porque lá em casa éramos apenas dois porque tinha amigos onde eram três e a sardinha tinha que chegar à mesma), e por aí adiante, quem viveu no Alentejo como eu nessa altura sabe muito bem do que falo!

Portanto, desde muito cedo me habituei a perceber que a imprensa era no mínimo tendenciosa para não dizer mentirosa, isto porque na altura ainda desconhecia a existência da censura, o que só veio a suceder mais tarde.

Por isso uma das coisas que saudei, no 25 de Abril,com maior entusiasmo foi ver aparecer a liberdade de imprensa, podia dizer-se tudo e mais alguma coisa.

Logo aí comecei a ver que os jornais não eram todos da mesma “cor”, mas ainda bem pois assim eu poderia ver melhor qual aquele que defendia mais os meus interesses e pontos de vista.

Portanto, do meu ponto de vista, desde que me conheço, nunca houve imprensa imparcial em Portugal e acho que quem pensa o contrário está muito enganado.

Nós é que temos que perceber quem defende o quê, mas facilitar-nos ia muito a vida se em Portugal , como em muitos países, os órgãos de informação se definissem, primeiro de um ponto de vista ideológico e depois em relação a determinados assuntos.

 

 

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