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Crónicas do Quintal

Blog sobre o que se vai passando neste nosso "quintal"

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Crónicas do Quintal

06
Jun06

Temos nós funcionários públicos a mais?

João Mateus

De há muito que se vem vendendo na nossa praça a ideia de que temos funcionários públicos a mais, no entanto, "ainda está por demonstrar que existam funcionários a mais na administração pública." A frase, pasme-se, é do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, que falava no programa Prós e Contras , da RTP, que debatia a reforma do aparelho de Estado.
 
De facto, segundo dados do Eurostat de 2004, as percentagens de funcionários públicos em relação à população activa, por país da UE, eram as seguintes:
 
Suécia - 33,3%
Dinamarca - 30,4%
Bélgica - 28,8%
Reino Unido - 27,4%
Finlândia - 26,4%
Holanda - 25,9%
França - 24,6%
Alemanha - 24%
Hungria - 22%
Eslováquia - 21,4%
Áustria - 20,9%
Grécia - 20,6%
Irlanda - 20,6%
Polónia - 19,8%
Itália - 19,2%
República Checa - 19,2%
PORTUGAL - 17,9%
Espanha - 17,2%
Luxemburgo - 16%
 
 
Como se vê, Portugal encontrava-se nessa altura em antepenúltimo lugar (desta vez este lugar honra-nos) e não é difícil imaginar que a percentagem se manterá mais ou menos estável, apesar de, em 2005, as admissões terem excedido ligeiramente as saídas.
 
Contra este argumento costumam opinar os “experts” da nossa praça, argumentando que, eventualmente, os números que contam para apuramento destas percentagens serão diferentes de país para país, isto é aquilo que é funcionário público na Suécia, não corresponderá aquilo que é em Portugal.
 
De facto pode e deve ser verdade, mas isso só poderia significar que, afinal, ao contrário do que eles próprios propalam, haveria, em Portugal, estado a menos e não a mais (vá-se lá entendê-los).
 
O problema é que, haverá funcionários públicos a mais nalgumas carreiras enquanto faltam noutras (gostaríamos, por exemplo, de saber qual é a percentagem de licenciados no Estado e nas empresas privadas) haverá, de facto, funcionários a mais nuns locais e faltarão noutros, por isso, impõe-se uma reestruturação de toda a administração pública.
 
Por outro lado, para se saber se há ou não funcionários a mais, é necessário que se defina, de uma vez por todas, qual deve ser a verdadeira dimensão do estado e não andar constantemente a mudar (a entrega de Serviços Públicos aos privados tem sido uma constante) isto, apesar de como também foi dito pelo Ministro Teixeira dos Santos no mesmo programa, a dimensão do Estado estar perfeitamente definida na Constituição. Ele é, segundo o mesmo “ O Estado do PS e do PSD” que, no entanto, têm sido os principais mentores das teorias do excesso de funcionários, apesar de o PS não o admitir explicitamente.
 
Por tudo isto esperar-se-ia do Governo uma lei da mobilidade que estimulasse, sobretudo, a mobilidade dos funcionários dentro da própria administração e não uma lei que, como parece ser unânime, estimula, sobretudo, a mobilidade para fora da administração.
 
Esperemos que não aconteça o mesmo que com a anterior lei dos disponíveis em que os mais competentes saíram da administração pública.
 
A este assunto voltaremos mais tarde e com mais pormenor!
 
01
Jun06

Ser criança em Portugal no século XXI

João Mateus


Os problemas das crianças que nascem em Portugal começam logo à nascença, basta ter o azar de nascer na área de influência de alguma das maternidades que foram (ou vão ser) encerradas. Corre-se o risco de nascer na ambulância ou, com algum azar, pode-se até ir nascer a Espanha (Badajoz).

Depois corre-se o risco de, aos 4 meses, perder a companhia da mãe, pois quase de certeza os pais trabalham e vão ter que entregar o seu rebento a uma ama ou a uma creche. Aí espera-se que nada de mau aconteça e que não se corra o risco de serem administrados uns comprimiditos para adormecer ou, até, não sejam presenteados com algumas “palmaditas” para ajudar a sossegar.

Os pais vão, certamente ter que abrir os cordões à bolsa e desenbolsar umas boas notas pois, quase de certeza, não vão encontrar uma creche pública onde pagarão de acordo com as suas possibilidades.

Chegados á idade da ida para o básico é mais uma mudança e um meter de mãos nos bolsos dos pais, pois quase de certeza vão ter que pagar mais um prolongamento.

Além disso como eles querem que os filhos tenham uma vida “saudável” e venham a ser "alguém" um dia mais tarde, lá vão mais umas aulitas de ginástica, de natação, de inglês e, eventualmente, de ballet.

Ao fim, do dia, chegarão com certeza, os pais todos esbaforidos, cheios de pressa. Lá “enfiam” os putos dentro do carro e lá vão a correr para casa, para fazer o jantar e dar banho ao pessoal, que entretanto vai fazendo os trabalhos de casa (normalmente isto é uma carga de trabalhos, pois perceba-se lá porquê, são receitados trabalhos que não se sabem fazer e é necessária a ajuda dos pais)

Finalmente tempo para brincar? Qual quê, nem pensar nisso, que há que ir deitar, uma vez que no dia seguinte há que levantar cedo!

Chega, finalmente, a idade do secundário umas vez que já se é um  “homenzinho” ou uma “mulherzinha”.

É certo que a vida é um bocado parecida com a do básico (as mesmas aulas disto e daquilo e os mesmos trabalhos que, normalmente, exigem a ajuda dos pais ou, quando estes não podem ou se estão marimbando, de um explicador) mas, finalmente, há autorização para deitar um pouco mais tarde e podem-se ver umas séries na televisão ou com alguma sorte (mais uma vez dependente das possibilidades dos pais) jogam-se uns jogos na playstation ou conversa-se com os amigos no computador.

Bela vida esta, não haja dúvida!


PS:

Este artigo pretende apenas retratar a vida de crianças ditas normais (as outras deixamos para os especialistas)

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