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Crónicas do Quintal

Blog sobre o que se vai passando neste nosso "quintal"

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Crónicas do Quintal

Pessoas que gostam disto

18
Jun18

E SE, AFINAL, POR DETRÁS DA CRISE DO SPORTING TAMBÉM ESTIVESSE A POLÍTICA?

João Mateus

Para mim, tudo o que acontece é político, mas nem para toda a gente o é, por isso eu explico.

Como todos sabem de há muito que Bruno de Carvalho é acusado pelo sistema de populista e, para eu não estar aqui a escrever mais sobre o assunto, a esse propósito vejam o que diz Daniel Oliveira, aqui https://www.facebook.com/danieloliveira.lx/posts/1842899722444133.
Depois do que aconteceu em Alcochete, várias coisas se sucederam que me chamaram a atenção:

1. As palavras de Ferro Rodrigues sobre o assunto, fazendo não enquanto Sportinguista mas como Presidente da Assembleia da República

2. Uma intervenção de Marcelo de Sousa onde falava sobre o populismo, e chamava a atenção para não ser um exclusivo da política (o que,se calhar, justifica as reticências que se punham em relação à sua presença na final da Taça se Bruno de Carvalho estivesse presente)

3. O discurso de Torres Pereira quando tomava posse da Comissão de Gestão do Sporting onde ele relaciona o que se está a passar no Sporting com o que se está a passar na Europa e no mundo (vejam lá a importância do Sporting) e que, para bom entendedor, só tem que se referir ao populismo (ouçam com atenção aqui https://www.record.pt/…/artur-torres-pereira-explica-o-que-…)

Agora, cada um que tire as suas conclusões.

14
Jun18

E SE, AFINAL, BRUNO DE CARVALHO SEMPRE TIVESSE RAZÃO?

João Mateus

sporting.jpg

 

Hoje ao ler os fundamentos de justa causa para a revogação do mandato do Conselho Diretivo do Sporting, fiquei sem saber se rir se chorar!
Porque o que está em jogo no meio disto tudo é o futuro do Sporting.
De há muito (desde a Assembleia Geral de 3 de Fevereiro) que era para mim visivel que estava em marcha um plano para demitir Bruno de Carvalho, mas hoje é notório que isso não chegava, era preciso fazer com que ele não "sonhasse" mais sequer em voltar a candidatar-se e, para isso, era preciso destruí-lo publicamente e ele, anginho, caiu na esparrela.
Mas os motivos invocados para o suspender, tirando o problema da Assembleia Geral do dia 23, são tão ridículos que até me dão vontade de rir! Uma coisa é certa, quem se mete com Marta Soares paga (que o diga o ex-comandante da Protecção Civil).
Uma coisa Bruno de Carvalho conseguiu demonstrar é que havia em marcha uma cabala para "correr" com ele de presidente do Sporting e que era preciso fazê-lo de forma que nunca mais pudesse lá voltar a pôr os pés!



 

12
Jun18

CARTA ABERTA AOS SÓCIOS DO SPORTING

João Mateus

 

Ora vamos lá ver se nos entendemos!

 

Eu sou sportinguista há mais de 60 anos, mas apenas como adepto e, como tal, não tenho culpa nenhuma de que vocês lá tenham posto o Bruno de Carvalho e outros que tais, e muitas vezes contra todos os meus princípios, tive que o defender das “merdas” que dizia por ser o presidente do Sporting.

 

Devo dizer que não vivendo o Sporting por dentro eu o analiso tendo apenas acesso ao que lá se passa pela comunicação social do sistema e, segundo essa imprensa, o Bruno de Carvalho era um “desestabilizador” etc, etc. No entanto eu, como adepto vivo apenas o clube pelos resultados conseguidos quer no futebol quer nas modalidades  e, devo dizer que para mim, desse ponto de vista, Bruno de Carvalho foi um dos melhores presidentes que estiveram no Sporting nos últimos 36 anos.

Entretanto aconteceu a fatídica terça-feira, onde fui confrontado com a notícia do “cashbol” e dos acontecimentos em Alcochete que foi um dos dias mais tristes da minha vida enquanto Sportinguista. Sim, porque o dia mais triste foi quando um adepto do Sporting foi morto no estádio nacional, mas outros houve igualmente tristes quando um adepto do Fiorentina foi morto perto do estádio da Luz em richa com adeptos do Sporting ou quando alguém ligado ao Sporting fez um depósito na conta de um árbitro sabe-se lá com que motivo.

Nesse dia tive a noção que, face aos acontecimentos só restavam a Bruno de Carvalho duas hipóteses ou se considerava culpado pelo que aconteceu e demitia-se ou não se considerava e tentava reunir os cacos em que a partir daí, ia ficar o Sporting pois, não se sabia o que ia acontecer aos jogadores e havia, ainda para disputar ou não, uma final da Taça de Portugal que, vencida daria acesso directo à Liga Europa que, depois de perdido o segundo lugar, que daria acesso à eliminatória da Liga dos Campeões, seria o mal menor.

Bruno de Carvalho optou pela segunda hipótese, quanto a mim na altura a indicada pois a primeira, na altura já não resolvia nada e porquê:

 

  1. Porque os jogadores a rescindirem os contractos invoncando justa causa o fariam demitindo-se Bruno de Carvalho ou não, pois fazendo-o poderia voltar a candidatar-se e, na altura, ninguém poderia garantir que não ganharia

  2. A negociação do perdão de dívida iria , provávelmente, á vida pois continuando em gestão Bruno de Carvalho ou sendo nomeada uma comissão de gestão, não sei se um e outros teriam legitimidade para a assinar. O mesmo em relação ao empréstimo obrigacionista.

  3. Havia uma época para preparar e , concerteza, Bruno de Carvalho estava melhor preparado que ninguém para o fazer.

 

Além do mais havia um procedente que se abria, isto é, os jogadores que até agora tinham o poder de demitir os treinadores passariam a ter também o de demitir os presidentes democraticamente eleitos pelos sócios e se sempre fui um defensor dos trabalhadores, isso seria um direito que não lhes podia reconhecer.

 

Passados dias falando com alguém também Sportinguista, dizia-me esse alguém “O Bruno de Carvalho não tem mais condições para continuar”. Quando lhe pergunto porquê, responde-me “Ele meteu-se com os gajos da massa e eles apenas estavam à espera de um pretexto para correr com ele e, com os acontecimentos de Alcochete isso acabou por acontecer”. E isto fez-me pensar se o que aconteceu a seguir, tentativas de levar o conselho directivo a demitir-se , demissões em catadupa, os “velhos do Restelo” a apareceram na televisão, etc e, quando surgiram as rescisões de Rui Patrício e Podence até consegui ver na televisão alguém que se dizia ligado ao Sporting que iria haver mais e conseguir dizer isto a rir!

 

O que se tem seguido tem sido de facto lamentável, pois cada vez que ligo a televisão nos canais privados lá está a debater-se a situação do Sporting e, tenho que dizê-lo, nem sempre com as melhores intenções e todo o bicho careto se sente no direito de o fazer, por isso, eu que não tenho acesso a esses meios, acabei por resolver fazê-lo por aqui,  vos peço, façam tudo para que a Assembleia Geral do dia 23 se realize (não percebo muito bem porquê no MEO Arena, mas isso é problema vosso) com todas as condições de segurança, destituam a direcção se querem fazê-lo mas façam também com que sejam convocadas eleições o mais rápido possível pois esta situação está a dar-me cabo do coração!

 

Saudações leoninas e nunca se esqueçam “Nós somos da tal raça que nunca se vergará”!

 

 

21
Mai18

HOJE JOGO EU

João Mateus

Vemos, ouvimos e lemos

Não podemos ignorar

Vemos, ouvimos e lemos

Não podemos ignorar

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

A semana passada, após os horríveis acontecimentos de Alcochete, foi posta a circular nalguns jornais e televisões a notícia de “que, segundo fonte próxima ao chefe de Estado, “foi deliberada para ter margem de manobra” para decidir mediante a presença, ou não, de Bruno de Carvalho na tribunal presidencial do estádio do Jamor. Situação que “não é do inteiro agrado do Presidente” e “poderia ser um incómodo”, depois dos acontecimentos dos últimos dias, nomeadamente as agressões a futebolistas e membros da equipa técnica por parte de um grupo de cerca de 50 adeptos na Academia de Alcochete."".

Logo nessa altura, escrevi no Facebook “Eu não acredito que não queira sentar-se ao lado do Presidente eleito do Sporting Clube de Portugal! “

Acontece que, depois do anuncio da não presença de Bruno de Carvalho, o Presidente da República não só anunciou a sua presença como veio a estar presente.

Por esse motivo devo dizer ao Senhor Presidente da República que tal como eu, que não votei nele, nem concordo com o seu estilo de presidência por o achar populista, também ele vai ter que “aturar” o Presidente eleito do Sporting enquanto os sportinguistas não acharem que o devem demitir ou ele próprio resolva fazê-lo.

Pelo mesmo motivo devo dizer que o mesmo procedimento deve ter o Presidente da Assembleia da República e, se o Dr. Ferro Rodrigues, como Sportinguista tinha todo o direito de dizer o que disse, ou ainda mais sobre o Presidente eleito do Sporting , nunca o poderia ter feito na qualidade de Presidente da Assembleia da República.

Por último quero ainda dizer-vos que, se já no tempo do fascismo era contra a presença destas entidades em acontecimentos desportivos, não é por agora vivermos num regime democrático que mudei de opinião, mas isto é uma questão de princípio, não uma questão de maré!

 

 

17
Out17

Os incêndios em Portugal

João Mateus

incendios.jpg

 

Agora que tudo parece mais calmo e já estamos em Outubro, vou finalmente, também eu falar de incêndios.

 

Em primeiro lugar porque há (mais) incêndios:

 

  • Incêndios sempre houve, quer por causas naturais ou provocado pelo homem, sejam por negligência sejam deliberados (e não se pense que apenas por mão criminosa pois desde há muito que se provocam queimadas quer para limpar os lixos que se formam na terra quer, muitas vezes para queimar os detritos que resultam da limpeza das matas)

  • Porque o interior deixou de ser habitado e logo, deixou de haver hortas que, à partida tornam a progressão do fogo mais lenta, deixou de haver rebanhos que necessitavam de pastagens, deixou de haver lareiras para queimar os resíduos das limpezas que passaram, muitas vezes, a ficar nos terrenos sem que lhe fosse dado qualquer destino

  • Porque se plantaram árvores que não são resistentes aos fogos e muitas vezes sem qualquer ordenamento, isto é, em cima das estradas e das localidades e,outras vezes, até se construiram casas no meio das matas

  • Porque há mais ocupação dos espaços das matas por pessoas que desconhecem os cuidados a ter quando quando nelas se permanece ou quando por elas se circula

  • Porque o aquecimento global, ao contrário do que diz o nosso “amigo” Trump, é mesmo um facto e as estações do ano deixaram de ser o que eram e as temperaturas elevadas deixaram de existir apenas no período de verão

 

Pelo que fica dito, acho que todos acabamos por compreender que existam mais fogos, mas o que espanta é, sem dúvida o número de ignições e e área ardida.

 

Tentemos então perceber porque acontecem:

 

  1. No que diz respeito às ignições, não tenho dúvidas que na sua esmagadora maioria está a mão humana, fazendo queimadas não programadas e quando as condições atmosféricas o não aconselham, fazendo fogueiras em locais onde não deviam ser feitas, lançando pontas de cigarro de carros em andamento, lançando fogo por vingança ou qualquer outro motivo, etc. embora por vezes possam, como aconteceu em Pedrógão existir outras razões

  2. Já no que diz respeito à sua propagação sem dúvida que o factor número um é mesmo o facto de não existirem pessoas no campo, quer em número suficiente quer pela sua idade, para poderem apagar o incêndio quando do seu inicio ou, pelo menos, combatê-lo até chegarem os bombeiros. Isto era o que se fazia antigamente, agora por vezes até as que existem, limitam-se a assistir e até a filmar como ainda ontem se viu numa televisão.

  3. Por outro lado, no que diz respeito aos meios de combate disponíveis parece que, no que diz respeito aos meios terrestres (corpos de bombeiros) não só não aumentaram de acordo com as necessidades (ver aqui https://www.pordata.pt/Portugal/Corpos+de+Bombeiros-1107) como baseando-se sobretudo no voluntariado e conhecendo a propensão das pessoas de hoje para o voluntariado, não tenho dúvidas que o número de elementos é, capaz de até ter diminuído. Depois há os meios aéreos que têm que ser alugados e dependem não só da sua existência como da existência de disponibilidade financeira para o fazer. Quer num caso quer noutro, há ainda a questão da programação do pico da sua utilização estar “programada” de acordo com condições atmosféricas típicas do verão que hoje já não são exclusivas dessa altura,

 

O que fica dito, é do conhecimento de todos e não tenho dúvidas nenhumas também dos sucessivos governos, e não eram precisas comissões independentes para “descobrir” o óbvio!

 

Porque não agiram então, até agora sobre o assunto?

 

  • Alguns por uma questão ideológica que não permite que o Estado meta o nariz em certos assuntos

  • Outros porque, em Portugal; é extremamente difícil meter-se com a propriedade privada (sobretudo com a pequena propriedade) e o que há a fazer tem muito com essa área (em último caso será preciso expropriar quem não cuidando das matas prejudica os que lhe estão próximos)

  • Uns e outros porque, obrigados a cumprir as metas impostas por Bruxelas sabem que, dificilmente terão as disponibilidades financeiras necessárias para levar a cabo o que é preciso fazer.

 

 

 

 

10
Out17

HOJE VAMOS FALAR DE POLÍTICA A SÉRIO!

João Mateus

Para que não haja confusões devo, desde já dizer que, para mim, o PSD sempre foi um partido liberal e o PS o verdadeiro partido social-democrata.

 

Por este motivo, sempre foi para mim preferível um governo PS a um governo PSD, sózinho ou acompanhado.

 

Assim, nas eleições de 2015, apesar de ser o que se pode considerar um eleitor da área do Bloco de Esquerda (situo-me nesta área desde os tempos da UDP), votei PS porque, na dúvida em relação à votação no Bloco naquelas eleições, era o partido que mais garantias me dava de poder ter uma votação de permitisse correr com Passos Coelho e a PAF do governo!

 

Foi esta a segunda vez que o fiz, pois a primeira acontecera quando foi necessário correr com Cavaco!

 

Confesso também que nunca me preocupei em ler o programa do PS para aquelas eleições, pois quando voto, mais do que em programas guio-me sobretudo pelos objectivos estratégicos. Por outro lado, porque acompanhei atentamente a actuação de António Costa quer na CML quer na Quadradatura do Círculo, conhecia bem quer as suas ideias quer a sua forma de actuar (confesso que, se fosse Seguro o candidato do PS, apesar do que disse no inicio, porque considero que a sua actuação como Secretário Geral do PS, nada teve a ver com a social-democracia, nunca nele teria votado!).

 

Depois das eleições, com os resultados das mesmas e com as atitudes dos partidos da esquerda vi, com grande alegria que, finalmente, poderia ser levada a cabo em Portugal a experiência que sempre defendi, isto é um governo efectivamente de esquerda (devo confessar que não era bem esta experiência que aguardava pois sempre defendi que esse governo integrasse elementos de todos os partidos que o apoiavam, mas no momento e condições actuais, permanência no UE e no Euro, seria talvez a única possível).

 

Devo dizer que, se calhar ao contrário de muitos, o que eu esperava deste governo não era apenas a reposição do que existia antes do governo da PAF mas também o levar a cabo uma política que permitisse levar a cabo uma verdadeira política de esquerda que até aí nunca existira em Portugal, pois a que tem estado em vigor desde o 25 de Novembro resulta, sobretudo, dos entendimentos entre o PSD e o PS portanto uma política de centro-direita.

 

Acontece que, após dois anos de vida deste governo (que seriam o prazo que julgaria razoável para ser reposta a situação anterior ao “desgoverno” da PAF) e com as negociações para o orçamento de 2018 é com grande preocupação que assisto ao que daí poderá resultar, isto é, assistir a que as “recuperações” no que diz respeito, por exemplo, às progressões e à reestruturação das carreiras não sejam para todos ao mesmo tempo mas sim, e sobretudo, primeiro para aquelas classes que têm mais poder reinvidicativo, como são, por exemplo, os polícias (por motivos óbvios) os juízes, os médicos, os enfermeiros e os professores, e mesmo no plano fiscal, no que diz respeito ao IRS é ainda, e tão só uma reposição dos escalões que existiam antes, em prejuízo de uma reforma de fundo que inclua o englobamento de todos os rendimentos e faça pagar aqueles que hoje, por qualquer motivo, “fogem” ao mesmo!

 

Para já, fico-me por aqui, mas prometo voltar ao assunto, próximamente!

 

 

 

 

14
Set17

OU HÁ MORALIDADE OU COMEM TODOS

João Mateus

 

A greve deve ser um direito inalienável para todos os trabalhadores, portanto só eles e as entidades patronais devem decidir da sua justiça!

 

É exactamente por pensar assim que às greves de grupos de trabalhadores da administração pública (médicos, enfermeiros, professores, policias, juizes, etc, que normalmente nunca alinham quando as greves são gerais) , que o governo, ao qual cabe defender todos os trabalhadores deve analisar estas lutas, não podendo ceder a uns que têm maior poder reinvidicativo em prejuízo dos que o não têm.

 

Para mim, ou há moralidade ou comem todos, enquanto não houver dinheiro para, para todos, descongelar as promoções, as progressões nas carreiras, a reorganização das carreiras, o horário das trinta e cinco horas...então devem comer todos!

 

08
Set17

A ESCRAVATURA MODERNA

João Mateus

 

 Uma das coisas que me custa mais a compreender no Portugal de hoje, militante empenhado que fui para que existissem em Portugal uma sociedade onde os direitos dos trabalhadores fossem reconhecidos, quer no que diz respeito à remuneração digna do trabalho, quer nos tempos de descanso e lazer é a ESCRAVATURA consentida que se instalou na nossa sociedade, onde os horários de trabalho apenas existem para as horas de entrada, onde se trabalha aos fins-de-semana e feriados, mesmo em actividades onde isso não se justifica, ficando sem tempo para a família e para o lazer, onde o trabalho parece ser um fim e não um meio.

Uma das virtudes do trabalho é o que, tendo-o, ele pode proporcionar exactamente no que diz respeito preenchimento das necessidades básicas (habitação, saúde, educação, etc) mas também ao lazer e ao prazer e de que serve até ganhar muito se depois não se tem tempo para o gastar?

Por outro lado, mesmo para satisfazer as necessidades básicas, o trabalho tem que ter uma certa estabilidade e a precariedade a que assistimos, não permite a que se possa constituir família ter uma casa e ter filhos etc, etc.

Por fim, ainda assistimos a que, quando alguém luta para, pelo menos manter o que tem, como acontece com os trabalhadores da Auto Europa, ainda seja criticado até pelos outros trabalhadores.

 

Como foi possível deixarmo-nos chegar a este ponto?

 

03
Jul17

RESPONSABILIDADE POLÍTICA EXIGE-SE!

João Mateus

 

Em primeiro lugar devo dizer que sempre fui um defensor de um governo igual ou parecido ao que actualmente existe em Portugal, isto é um governo de maioria PS, com a participação ou com o apoio da área do que agora é o Bloco e do PCP.

 

Por este motivo, sempre votei na UDP e no Bloco, com excepção de duas vezes em que votei PS (Guterres e António Costa), uma vez para tirar de lá o Cavaco e outra para acabar com o governo de Passos e Portas.

 

Assim, devo dizer que julgo que faço parte de um reduzido grupo de portugueses que, de consciência tranquila, pode perfeitamente reclamar de tudo o que tem sido feito depois do 25 de Novembro.

 

De facto os sucessivos governos de PS, PSD e CDS são, sem dúvida, os grandes responsáveis por tudo o que se tem passado neste período onde o aparelho de Estado tem sido consecutivamente delapidado dos meios necessários para garantir o trabalho e a reforma, a saúde, a educação, a justiça e, constatacta-se agora, que mesmo a segurança do País.

 

Em tudo isto não posso deixar de considerar também o papel da CEE (depois UE) e do Euro, que nos impediram de utilizar os meios disponíveis não para nos desenvolvermos como país pobre que nos tornámos mas de acordo com padrões pedidos por países já muito mais desenvolvidos que nós.

 

Por tudo o que fica dito o que espero deste governo é que saiba inverter este caminho e tomar as medidas políticas necessárias para inverter este caminho pois, de contrário ficará, para mim, demonstrada a inutilidade de um governo com este cariz.

 

Por último quero declarar que, quando me refiro a responsabilidade política não me refiro a que este ou aquele ministro seja demitido, mas sim a tomada de todas as medidas necessárias para inverter a política que tem sido seguida até agora, que não poderão ser tomadas numa legislatura mas que já é mais do que tempo de começar a serem levadas a cabo.

 

23
Jun17

EU, PECADOR, ME CONFESSO!

João Mateus

IMG_20140803_151852.jpg

 

 

Esta coisa dos incêndios sempre me tem feito pensar muito porque é que as coisas hoje em dia são assim, e depois da tragédia de Pedrógão fez-me pensar ainda mais.

 

De facto, antigamente, as coisas eram diferentes porquê? Em primeiro lugar, se calhar porque havia menos floresta, depois porque havia mais pessoas e pessoas com outro espírito, isto é as pessoas eram os primeiros bombeiros, muitas vezes os únicos.

 

E hoje é precisamente no problema da falta de pessoas no campo que me quero focar.

 

Não tenho dúvidas que a minha geração foi, sem dúvida a iniciadora do grande êxodo dos campos para o litoral e para a emigração!

 

E porquê? Porque na aldeia só existia trabalho na agricultura e, mesmo esse, não era para todo o ano (alguma industrialização apenas existia ainda na cintura industrial de Lisboa).

 

A emigração teve a ver além deste factor com o surgimento da guerra colonial e, aos que procuravam melhor vida, juntaram-se aqueles que dela queriam fugir.

 

Antes do 25 de Abril, a vida na terra para os pobres era uma autêntica miséria, principalmente no Alentejo onde predominava o latifúndio, começava-se a trabalhar cedo, na minha geração mal se acabava a escola , mas na geração dos meus pais muitos nem a chegaram a completar e começaram a trabalhar com sete e oito anos, sendo a alimentação a única remuneração a que se tinha direito.

 

Tudo isto para dizer que, ao contrário do que muitas vezes se quer fazer crer a fuga do interior para o litoral não começou depois do 25 de Abril, mas muito antes e, eventualmente, por o mesmo não ter acontecido muito mais cedo.

 

Quando partimos a ideia de muitos de nós era um dia “voltar à terra” e comprar uma casa onde pudéssemos passar uma velhice descansada.

 

Acontece que depois vieram os filhos que, mesmo na cidade, não arranjavam um emprego que lhes permitisse ter a vida que nós tivemos (graças ao 25 de Abril) e para os poder acompanhar e ajudar nós fomos ficando...ficando e depois vieram os netos e a maioria de nós, mesmo os que na terra compraram a casa sonhada, acabaram por ir ficando.

 

Para se compreender o fenómeno da desertificação do interior é preciso, portanto, ir muito mais longe que analisar o que se passou antes do 25 de Abril quer com os governo fascista quer com os anteriores que nada fizeram para desenvolver o país.

 

É certo que depois do 25 de Abril se foram fechando serviços mas isso aconteceu porque deixaram de existir pessoas para acorreram aos mesmos.

 

Hoje pensa-se que, recriando-os se atrairão de novo as pessoas mas eu penso que só o contrário fará com que aconteça, isto é, só quando houver pessoas é que os serviços voltarão e, quanto a isso eu estou muito pessimista, pois enquanto nós viemos à procura do emprego onde o havia na altura hoje prefere-se ficar mesmo onde ele não existe.

 

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