Pessoas que gostam disto

Quarta-feira, 1 de Junho de 2005

Alternativas...O Orçamento de Base 0

Quem conhece minimamente a administração pública sabe bem dos grandes desperdícios que a mesma padece, o costume é mesmo “poupar no farelo e gastar na farinha”, isto é, poupa-se, por exemplo, no papel higiénico, para depois se gastar em outros luxos bem piores.

Sabe, com certeza, da ginástica que se faz sempre no final de cada ano para gastar as verbas ainda disponíveis para se pedir mais no ano seguinte. Isto porque, nos serviços públicos os orçamentos são feitos mais ou menos a martelo, isto é, vê-se quanto se gastou nesse ano, acrescenta-se-lhe o valor calculado para a inflação e já está.

Às vezes até se esquecem que, por exemplo, nas despesas com pessoal, que representam uma percentagem muito elevada das despesas do estado, é preciso contar com as tais progressões automáticas e com as promoções, o que leva a que, normalmente as despesas subam muito mais que a inflação e, quando se chega ao final do ano, a verba orçamentada não chega, nem de perto nem de longe, para pagar os ordenados.

Depois anda tudo numa fona para saber onde é que se vai buscar o dinheiro para pagar o último vencimento e o subsídio de natal.

Sabemos de alguns responsáveis que, nesta altura são vítimas de verdadeiros esgotamentos nervosos por causa desta situação.

Ás vezes, nem atrasando os pagamentos aos fornecedores, se consegue esticar o lençol de forma a tapar os pés.

Depois lá acaba por se conseguir desviar alguma coisa de outro lado qualquer (lá há mais alguém que fica a arder!) e lá se consegue tapar o buraco!

Depois há ainda, despesas que pura e simplesmente, à partida, não são sequer orçamentadas, porque não se tem, de forma nenhuma, intenções de as pagar( as dívidas do estado no sector da saúde são, disso, um exemplo flagrante).

Não é por acaso, o orçamento de 2005, elaborado pelo anterior governo é, de tudo isto, um exemplo flagrante.

Numa coisa, no entanto, eles têm razão, não fizeram mais do que todos os governos anteriores fizeram!

 Só que esta política não pode durar indefinidamente, não só por nós, que às tantas já nem sabemos às quantas andamos, como, sobretudo, pela UE que, apesar da maior flexibilidade das novas normas, não vai permitir que o regabofe continue.

Como resolver então este problema?

Pois aí vai:

1. Elaborar um orçamento que, ao contrário de considerar como ponto de partida o orçamento do ano anterior seja elaborado com base nas necessidades reais de cada ministério;

2. Cada ministério deverá elaborar uma nota justificativa pormenorizada, de todas as despesas inscritas no orçamento;

 3. Se o dinheiro disponível não chegar para cumprir as necessidades, então que se recorra á divida pública e que essa dívida seja inscrita no orçamento;

4. Não serão permitidas nenhumas despesas que não estejam inscritas no orçamento, quer pelo seu volume, quer pela sua natureza;

 5. Se qualquer ministério não cumprir os preceitos anteriores, os seus responsáveis responderão com o seu património próprio pela execução das mesmas.

Se assim for, eventualmente, não teremos mais quem queira ser ministro, mas o Estado transformar-se-á, sem dúvida, em pessoa de bem e passará a cumprir, escrupulosamente os seus compromissos para com a sociedade.

publicado por João Mateus às 16:34
link do post | comentar | favorito
|

Lema do Blog

Pra melhor está bem...está bem. Pra pior já basta assim!

Mais sobre Mim

Projecto Esperança

Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts Recentes

Os incêndios em Portugal

HOJE VAMOS FALAR DE POLÍT...

OU HÁ MORALIDADE OU COMEM...

A ESCRAVATURA MODERNA

RESPONSABILIDADE POLÍTICA...

EU, PECADOR, ME CONFESSO!

"Tão felizes que nós éram...

PORTUGAL O PAÍS DO TENDEN...

Os problemas da Democraci...

Os argumentos da direita ...

Arquivos

Outubro 2017

Setembro 2017

Julho 2017

Junho 2017

Março 2017

Outubro 2016

Junho 2015

Dezembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Novembro 2012

Setembro 2012

Julho 2012

Junho 2012

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Junho 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Julho 2008

Novembro 2006

Outubro 2006

Julho 2006

Junho 2006

Abril 2006

Março 2006

Janeiro 2006

Setembro 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Links

Viagens na Nossa Terra
Pretextos...
Ir até ao Alentejo
A Gazeta Saloia
Coutinho Afonso
Peralcovo

O Crónicas no Facebook

blogs SAPO

subscrever feeds