Pessoas que gostam disto

Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

“Com papas e bolos se enganam os tolos” (ou a história do maior “roubo” de que há memória em Portugal)

Será que os cortes nos subsídios de Natal e de Férias nos funcionários públicos e nos pensionistas não resulta, afinal, de um embuste do nosso Primeiro Ministro?

 

É que os argumentos apresentados, quer pelo Primeiro Ministro na sua comunicação ao país, quer na entrevista concedida ontem à RTP pelo Ministro das Finanças, não convencem ninguém ( a não ser os tolos, claro).

 

Senão vejamos, os argumentos apresentados:

 

  1. A média dos salários na função pública ser superior à média do sector privado

  2. O corte nos subsídios dos privados não contribuir para a diminuição do défice

  3. O aumento de meia hora de trabalho por dia, apenas ser aplicado aos privados

  4. A segurança no emprego na função pública é superior á do privado

 

Analisemos então cada um dos argumentos:

 

  1. Ganhar mil euros na função pública ou na reforma não é o mesmo que ganhar mil euros no privado?

  2. O corte nos subsidios dos privados também contribui para a diminuição do défice, uma vez que a mesma pode ser feita quer pela diminuição das despesas, quer pelo aumento das receitas(senão como se justifica o corte nos subsidios de natal deste ano?)

  3. Se dessem aos funcionários publicos a hipótese de trabalharem mais meia hora por dia e, em troca, receberem o total do seu subsídio, não temos dúvidas que todos aceitariam de bom grado

  4. Como todos sabemos a segurança no emprego na função pública hoje, é mais aparente que real, pois os trabalhadores considerados excedentários podem ser colocados em mobilidade especial e passado algum tempo podem mesmo receber menos que o equivalente a um subsidio de desemprego, além de que, tal como os desempregados, se recusarem um emprego, podem ser colocados em situação de licença sem vencimento

 

Como vimos, nada disto cola.

 

Mas há coisas que colam, senão vejamos:

 

  1. Passos Coelho comprometeu-se perante os portugueses a equilibrar o orçamento cortando dois terços do lado da despesa e aumentando apenas um terço do lado da receita

  2. Passos Coelho comprometeu-se também a não equilibrar o orçamento com o recurso a receitas extraordinárias

 

Certo?

 

Comecemos então a colar as coisas:

 

  1. O corte dos subsídios de férias e de natal dos funcionários públicos e dos reformados é, pelo menos em termos formais, uma diminuição da despesa

  2. O corte nos subsídios de férias dos privados, para que revertesse para o Estado, implicaria que o mesmo tivesse que ser feito através de um imposto, e ainda por cima, de um imposto extraordinário, logo a sua entrada nos cofres do estado, seria um receita e, ainda, por cima, tratando-se de um imposto extraordinário, uma receita extraordinária.

  3. Quem nos garante, que, afinal os tão propalados cortes na Educação, na Saúde, e na Segurança Social (daí a necessidade de meter os reformados no barco) não são afinal , na sua esmagadora maioria, resultado não de eliminação de gorduras, ou dos tais consumos intermédios (esferográficas, papel, etc) tão insistentemente falados, mas do maior “roubo” de que há memória em Portugal pois não nos lembramos de, mesmo em tempos de crise, nenhum governo que se tenha “atrevido” a fazer um “ assalto” tão grande aos bolsos dos funcionários públicos.

     

Como se vê, não somos daqueles que acreditamos que Passos Coelho corte nos subsídios dos funcionários públicos por ressabiamento ou outro objectivo do género, mas por uma questão de imagem (em que a direita portuguesa é tão pródiga actualmente)junto dos portugueses e, também, das instâncias internacionais, o que não é menos grave.

 

publicado por João Mateus às 13:42
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