Pessoas que gostam disto

Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005

Os papeis que ainda se gastam neste Pais!

Eu e a minha mulher decidimos comprar uma casa nova.

Como não percebemos nada do assunto, encarregamos o serviço da instituição bancaria que nos vai conceder o empréstimo, de tratar de toda a documentação.

Para isso, disseram-nos, era necessária uma procuração, para a qual nos forneceram a respectiva minuta.

E eu, pimba, venho para casa, agarro no computador e vai de fazer uma procuração toda bonitinha (com todos os esses e erres), de acordo com a minuta e em nome dos dois.

Como as assinaturas teriam que ser reconhecidas presencialmente, é claro que não assinamos.

Se a casa vai ser comprada em nome dos dois parecia que deveria ser assim!

 Mas não!

Quando chego ao Notário, acompanhado de minha esposa, entrego a Procuração á senhora que nos atende (muito simpática, por acaso) e digo-lhe, mais ou menos o seguinte:

 - “Bom dia, nós queríamos assinar esta procuração e reconhecer as respectivas assinaturas!”

 Ela lê atentamente e diz, mais ou menos:

- “Pois é, mas isto não, pode ser feito em computador e tem que ser feita uma procuração para cada um!”

- “É que o reconhecimento é de letra e assinatura”!

Para isso, entrega-nos um papel cheio de linhas e delimitado de ambos os lados.

 Ai eu penso:

- “Bom, isto para voltar ao papel selado, só lhe falta mesmo selo!” (mas não disse nada, não estejam já a pensar mal).

E pronto, lá tratei eu e a minha mulher, de escrever à mão (com muita dificuldade, diga-se de passagem, pois já estamos a habituados a fazer tudo no computador, que foi comprado para isso mesmo) dois documentos rigorosamente iguais onde apenas mudam o nome, a freguesia e concelho de nascimento e, claro o nome do cônjuge.

Aqui devo fazer uma ressalva!

É claro que a procuração passada em nome dos dois dizia tudo isso mas de forma diferente!

Agora pergunto eu:

- Será que se tratasse de uma sociedade em que a Administração fosse constituída por seis (ou mais) membros também teria que apresentar documentos escritos á mão por cada um dos elementos da administração?

Então qual é a diferença, para este efeito, entre um casal casado com comunhão de adquiridos e uma sociedade?

 A minha resposta é:

“Nenhuma!”

Por outro lado, será que o reconhecimento presencial não era a prova de que era eu a responsabilizar-me pelo que estava escrito, independentemente da forma ( manual ou não) e por quem foi escrito? Se não soubesse escrever como é que seria?

Enfim a ideia com que fico é que, sempre que precisamos tratar de qualquer coisa, o mais importante ainda são os papeis e não aquilo a que se destinam.

E isto porquê?

 São resquícios do passado nalguns casos e ate excesso de zelo noutros, ou será apenas porque não se considera importante estudar e acabar com estas coisas?

Responda quem souber!

publicado por João Mateus às 11:31
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1 comentário:
De Anónimo a 28 de Dezembro de 2005 às 23:04
Gostei do que li aqui, mas é pena que não haja artigos mais recentes. Falta de ânimo para continuar? Não quero voltar aqui e ver o quintal murcho.FORÇA!!!

Beijinhos

AnónimaVisita
</a>
(mailto:visita@hotmail.com)

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