Pessoas que gostam disto

Sábado, 19 de Fevereiro de 2011

Precisa-se de matéria prima para construir um País

 

 

De há muito que pensava escrever um post sobre o assunto do País que somos e porque chegámos até aqui, do pais onde a esperteza vale mais que a capacidade, do pais da cunha que somos, do pouco que damos e do muito que esperamos, no entanto acabei por descobrir aqui que já houve quem o fizesse melhor que eu jamais conseguiria fazer e, portanto, não resisti a transcrever aqui este artigo de Eduardo Prado Coelho antes de morrer:

 

 

Precisa-se de matéria prima para construir um País

Agora dizemos que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal
E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
-Onde a falta de pontualidade é um hábito;
-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa ?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados !
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa ?... MEDITE !


EDUARDO PRADO COELHO

 

publicado por João Mateus às 20:36
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Seria uma benção que o FMI entrasse em Portugal?

 

 

 

Sinceramente, ultimamente, ando mesmo em maré de ruturas.

 

Gosto muito do Pingo Doce, porque é perto, porque tem muitos produtos portugueses e, principalmente, porque os preços são bons mas, nem por issso, muito melhores que os outros.

Cá em casa até costumam dizer que devo ter uma quota no Pingo Doce.

 

Mas sou daqueles que não quero, nem por sombras, que o FMI venha cá meter o bedelho, pois ainda me lembro bem como foi quando cá esteve e o que impôs na Grécia e na Irlanda.

 

Por isso, ontem, quando vi na SIC Notícias as primeiras páginas dos jornais e vi a capa do “I” pensei imediatamente “Nunca mais vou ao Pingo Doce”!

 

Realmente já pensaram bem, se todos nós, que não concordamos com a vinda do FMI deixássemos de ir ao Pingo Doce?

 

Não sei bem o que aconteceria, mas, certamente, os lucros fabulosos deste senhor levariam um grande rombo!

 

Pensem bem no assunto!

publicado por João Mateus às 19:49
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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

A propósito da "geração sem remuneração"

 

Eis o que escrevi num mail que me mandaram sobre o assunto:

 

 

Será realmente verdade?

 

Esta geração. de facto, está num beco sem saída, mas também contribuiu muito para isso, esquecendo que é preciso fazer pela vida!

 

Compraram os sonhos que lhes foram vendendo  de que era possivel cada um ser o seu próprio patrão, ter a própria casa, etc.

 

E quem começou a vender-lhes esses sonhos?

 

A geração que fez a revolução? Não senhor, foi um senhor chamado Cavaco, que hoje é só o Presidente da Republica e que, se bem me lembro, ate foi o inventor dos recibos verdes, pelo menos na Função Publica!

 

Alhearam-se de tudo e mais alguma coisa.

 

Lutas? Greves? Que era isso?

 

O que era preciso era ter sucesso na vida, ter tudo sem lutar por nada!

 

Nós também tivemos culpa, é certo, ou pelo menos alguns de  nós, o que era preciso era dar aos meninos os ténis de marca, as play stations, depois o carro e, por fim, quando alguns saiam de casa ainda se lhes pagava a renda, ao contrario dos nossos pais que nos puseram a trabalhar, muitos com onze e doze anos!

 

Esta burguesia bem instalada, tipo José Manuel Fernandes, e outros que tem a mania de nos medir a todos por eles próprios, nunca soube, nem nunca saberá, de facto, o que foram os anos de fascismo em Portugal e, por isso, nunca perceberá, o nosso desejo de liberdade e de uma vida melhor.

 

Eu, que sou dessa geração que ele critica, pergunto-me, no entanto. que mal terei feito eu a Deus para ter em casa dois "perfeitos exemplares" daqueles que ele chama de espoliados e para agora, estar eventualmente a acontecer-me o mesmo com o meu pai que tem uma reforma de miséria ( a tal que os tais espoliados de que fala diz que poderão vir a ter) e não pode pagar um lar quando dele precisar.

 

Vão todos mas é pra um sitio que eu cá sei.

 

 

 

João Mateus

 

 

 

Tudo o que espoliámos à "geração sem remuneração"

por José Manuel Fernandes a Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011 às 20:32

Para uns terem "direitos adquiridos" para sempre, outros ficaram sem direitos nenhuns: os mais novos, os nossos filhos.

Quando o FMI chegou pela segunda vez a Portugal, em 1983, eu tinha 26 anos. Num daqueles dias de ambiente pesado, quando havia bandeiras pretas hasteadas nos portões das fábricas da periferia de Lisboa, quando nos admirávamos com ser possível continuar a viver e a trabalhar com meses e meses de salários em atraso, almocei com um incorrigível optimista no Martinho da Arcada. Nunca mais me esqueci de uma sua observação singela: "Já reparaste como, apesar de todos os actuais problemas, a nossa geração vive melhor do que as dos nossos pais? Tenta lembrar-te de como era quando eras miúdo..."

Era verdade: a minha geração viveu e vive muito melhor do que a dos seus pais. E eles já viveram melhor do que os pais deles. Mas quando olho para a geração dos meus filhos, e dos que são mais novos do que eles, sinto, sei, que já não vai ser assim. E não vai ser assim porque nós estragámos tudo - ou ajudámos a estragar tudo. Talvez aqueles que são um bocadinho mais velhos do que eu, os verdadeiros herdeiros da "geração de 60", os que ocuparam o grosso dos lugares do poder nas últimas três décadas, tenham um bocado mais de responsabilidade. Mas ninguém duvide que o futuro que estamos a deixar aos mais novos é muito pouco apetecível. E que o seu presente já é, em muitos aspectos, insuportável.

Começámos por lhes chamar a "geração 500 euros", pois eram licenciados e muitos não conseguiam empregos senão no limiar do salário mínimo. Agora é ainda pior. Quase um em cada quatro pura e simplesmente não encontram emprego (mais de 30 por cento se tiverem um curso superior). Dos que encontram, muitos estão em "call centers", em caixas de supermercados, ao volante de táxis, até com uma esfregona e um balde nas mãos apesar de terem andado pela Universidade e terem um "canudo". Pagam-lhes contra recibos verdes e, agora, o Estado ainda lhes vai aplicar uma taxa maior sobre esse muito pouco que recebem. Vão ficando por casa dos pais, adiando vidas, saltitando por aqui e por ali com medo de compromissos.

Há 30 anos, quando Rui Veloso fixou um estereótipo da minha geração em "A rapariguinha do Shopping", a letra do Carlos Tê glosava a vaidade de gente humilde em ascensão social, fosse lá isso o que fosse: "Bem vestida e petulante/Desce pela escada rolante/Com uma revista de bordados/Com um olhar rutilante/E os sovacos perfumados/.../Nos lábios um bom batom/Sempre muito bem penteada/Cheia de rimel e crayon..."

Hoje, quando os Deolinda entusiasmam os Coliseus de Lisboa e do Porto, o registo não podia ser mais diferente: "Sou da geração sem remuneração/E não me incomoda esta condição/Que parva que eu sou/Porque isto está mal e vai continuar/Já é uma sorte eu poder estagiar..." Exacto: "Já é uma sorte eu poder estagiar", ou mesmo trabalhar só pelo subsídio de refeição, ou tentar a bolsa para o pós-doc depois de ter tido bolsa para o doutoramento e para o mestrado e nenhuma hipótese de emprego. Sim, "Que mundo tão parvo/Onde para ser escravo é preciso estudar..."

É a geração espoliada. A geração que espoliámos.

Sem pieguices, sejamos honestos: na loucura revolucionária do pós-25 de Abril, primeiro, depois na euforia da adesão à CEE, por fim na corrida suicida ao consumo desencadeada pela adesão à moeda única e pelos juros baixos, desbaratámos numa geração o rendimento de duas gerações. Talvez mais. As nossas dívidas, a pública e a privada, já correspondem a três vezes o produto nacional - e não vamos ser nós a pagá-las, vamos deixá-las de herança.

Quisemos tudo: bons salários, sempre a subir, e segurança no emprego; casa própria e casa de férias; um automóvel para todos os membros da família; o telemóvel e o plasma; menos horas de trabalho e a reforma o mais cedo possível. Pensámos que tudo isso era possível e, quando nos avisaram que não era, fizemos como as lapas numa rocha batida pelas ondas: enquistámos nas posições que tínhamos alcançado. Começámos a falar de "direitos adquiridos". Exigimos cada vez mais o impossível sem muita disposição para darmos qualquer contrapartida. Eram as "conquistas de Abril".

Veja-se agora o país que deixamos aos mais novos. Se quiserem casa, têm de comprá-la, pois passaram-se décadas sem sermos capazes de ter uma lei das rendas decente: continuamos com os centros das cidades cheios de velhos e atiramos os mais novos para as periferias. Se quiserem emprego, mesmo quando são mais capazes, mesmo quando têm muito mais formação, ficam à porta porque há demasiada gente instalada em empregos que tomaram para a vida. Andaram pelas Universidades mas sabem que, nelas, os quadros estão praticamente fechados. Quando têm oportunidade num instituto de investigação, dão logo nas vistas, mas são poucas as oportunidades para tanta procura. Pensaram ser professores mas foram traídos pela dinâmica demográfica e pela diminuição do número de alunos. Sonharam com um carreira na advocacia, mas agora até a sua Ordem se lhes fecha. Que lhes sobra? As noites de sexta-feira e pensarem que amanhã é outro dia...

E observe-se como lhes roubámos as pensões a que, teoricamente, um dia teriam direito: a reforma Vieira da Silva manteve com poucas alterações o valor das reformas para os que estão quase a reformar-se ao mesmo tempo que estabelecia fórmulas de cálculo que darão aos jovens de hoje reformas que corresponderão, na melhor das hipóteses, a metade daquelas a que a geração mais velha ainda tem direito. Eles nem deram por isso. Afinal como poderia a "geração 'casinha dos pais'" pensar hoje no que lhe acontecerá daqui a 30 ou 40 anos?

Esta geração nunca se revoltará, como a geração de 60, por estar "aborrecida", ou "entediada", com o progresso "burguês". Esta geração também não se mobilizará porque... "talvez foder". Mas esta geração, que foi perdendo as ilusões no Estado protector - ela sabe muito bem como está desprotegida no desemprego, por exemplo... -, habituou-se também a mudar, a testar, a arriscar e, sobretudo, a desconfiar dos "instalados".

Esta geração talvez já tenha percebido que não terá uma vida melhor do que a dos seus pais, pelo menos na escala que eles tiveram relativamente aos seus avós. Por isso esta geração não segue discursos políticos gastos, nem se deixa encantar com retóricas repetitivas, nem acredita nos que há muito prometem o paraíso.

Por isso esta geração pode ser mobilizada para o gigantesco processo de mudança por que Portugal tem de passar - mais do que um processo de mudança, um processo de reinvenção. Portugal tem de deixar de ser uma sociedade fechada e espartilhada por interesses e capelinhas, tem de se abrir aos seus e, entre estes, aos que têm mais ambição, mais imaginação e mais vontade. E esses são os da geração "qualquer coisa" que só quer ser "alguma coisa". Até porque parvoíce verdadeira é não mudar, e isso eles também já perceberam...

O grupo musical "Deolinda", lançou uma canção que, do dia para a noite, se transformou num êxito e num hino da juventude.

Deolinda - Parva que sou
Música e letra: Pedro da Silva Martins

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração 'casinha dos pais',
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração 'vou queixar-me pra quê?'
Há_ alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração 'eu já não posso mais!'
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

publicado por João Mateus às 13:01
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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

Adeus Bloco de Esquerda

 

Devo dizer que hesitei muito em escrever este artigo, pois sempre fui daqueles que rejeitei discutir na praça pública os problemas da esquerda em Portugal, mas, no entanto, nesta altura achei que não devia, de maneira nenhuma, ficar calado!

Fui daqueles que participei activamente para que o 25 de Abril fosse mais que um simples golpe militar, quer na Guiné, onde me encontrava a cumprir comissão, quer depois do regresso, em Agosto de 74.

Fui daqueles que acreditei que neste País todos poderiam ter liberdade, pão, habitação, saúde, educação.

Nunca quis pertencer a nenhum partido por prezar demasiado a minha liberdade recentemente conquistada mas participei activamente, ao lado de militantes do PCP, PS e mesmo de movimentos de extrema esquerda, no afastamento dos fascistas e daqueles que com eles colaboravam e concorri por diversas vezes à Comissão de Trabalhadores e Delegado Sindical e partcipei também activamente nas campanhas de candidatura à Presidência de Maria de Lurdes Pintasilgo e Otelo Saraiva de Carvalho e na criação dos GDUP.

No decorrer dessas lutas estive muitas vezes contra o PCP e o seu sectarismo, mas normalmente acompanhado pelos militantes da UDP e outros movimentos da então chamada extrema esquerda mas que, para mim, não tinham nada de extrema.

Por tudo isto, foi com imensa esperança que vi surgir o Bloco de Esquerda pois me parecia que, finalmente, poderiam estar criadas as condições para a criação de uma maioria de esquerda (PS + Bloco) uma vez que com o PCP, talvez por razões históricas, isso sempre pareceu impossível.

Durante muitos anos, votei no Bloco e não me desiludi, com a sua colaboração foi possível aprovar leis avançadas, como foram a lei do aborto e outras.

No entanto, devo confessar que a actuação do Bloco me começou a desiludir com as suas tomadas de posição sobre a luta dos professores.

Efectivamente, para mim, não é só pelo motivo de se ser trabalhador que uma luta é justa e deve ser apoiada ou não.

Para mim, com o 25 de Abril, não desapareceram as classes sociais, digamos mesmo que apareceram algumas novas que vieram substiturir as anteriores classes e, à custa do poder que têm na sociedade, acabaram por substituir-se aquelas no que diz respeito aos privilégios de que disfrutam e os professores, tal como os juizes, os militares e outros, são sem dúvida uma delas.

Confesso que acho que , últimamente, o BLOCO mais não tem feito que andar a reboque do PCP (esquecendo que alguns dos movimentos que lhe deram origem se fizeram na luta contra o mesmo) e o seu objectivo será, apenas, conquistar mais votos que aquele.

No entanto, foi o anúncio de ontem, a apresentação de uma moção de censura no Parlamento a 10 de Março, numa altura em que a única alternativa que existe para este governo é um governo de direita, que constituiu a gota que encheu o copo.

Chegou a altura de dizer basta!

BLOCO DE ESQUERDA, nunca mais!

 

 

João Mateus

publicado por João Mateus às 14:01
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