Será que os cortes nos subsídios de Natal e de Férias nos funcionários públicos e nos pensionistas não resulta, afinal, de um embuste do nosso Primeiro Ministro?
É que os argumentos apresentados, quer pelo Primeiro Ministro na sua comunicação ao país, quer na entrevista concedida ontem à RTP pelo Ministro das Finanças, não convencem ninguém ( a não ser os tolos, claro).
Senão vejamos, os argumentos apresentados:
A média dos salários na função pública ser superior à média do sector privado
O corte nos subsídios dos privados não contribuir para a diminuição do défice
O aumento de meia hora de trabalho por dia, apenas ser aplicado aos privados
A segurança no emprego na função pública é superior á do privado
Analisemos então cada um dos argumentos:
Ganhar mil euros na função pública ou na reforma não é o mesmo que ganhar mil euros no privado?
O corte nos subsidios dos privados também contribui para a diminuição do défice, uma vez que a mesma pode ser feita quer pela diminuição das despesas, quer pelo aumento das receitas(senão como se justifica o corte nos subsidios de natal deste ano?)
Se dessem aos funcionários publicos a hipótese de trabalharem mais meia hora por dia e, em troca, receberem o total do seu subsídio, não temos dúvidas que todos aceitariam de bom grado
Como todos sabemos a segurança no emprego na função pública hoje, é mais aparente que real, pois os trabalhadores considerados excedentários podem ser colocados em mobilidade especial e passado algum tempo podem mesmo receber menos que o equivalente a um subsidio de desemprego, além de que, tal como os desempregados, se recusarem um emprego, podem ser colocados em situação de licença sem vencimento
Como vimos, nada disto cola.
Mas há coisas que colam, senão vejamos:
Passos Coelho comprometeu-se perante os portugueses a equilibrar o orçamento cortando dois terços do lado da despesa e aumentando apenas um terço do lado da receita
Passos Coelho comprometeu-se também a não equilibrar o orçamento com o recurso a receitas extraordinárias
Certo?
Comecemos então a colar as coisas:
O corte dos subsídios de férias e de natal dos funcionários públicos e dos reformados é, pelo menos em termos formais, uma diminuição da despesa
O corte nos subsídios de férias dos privados, para que revertesse para o Estado, implicaria que o mesmo tivesse que ser feito através de um imposto, e ainda por cima, de um imposto extraordinário, logo a sua entrada nos cofres do estado, seria um receita e, ainda, por cima, tratando-se de um imposto extraordinário, uma receita extraordinária.
Quem nos garante, que, afinal os tão propalados cortes na Educação, na Saúde, e na Segurança Social (daí a necessidade de meter os reformados no barco) não são afinal , na sua esmagadora maioria, resultado não de eliminação de gorduras, ou dos tais consumos intermédios (esferográficas, papel, etc) tão insistentemente falados, mas do maior “roubo” de que há memória em Portugal pois não nos lembramos de, mesmo em tempos de crise, nenhum governo que se tenha “atrevido” a fazer um “ assalto” tão grande aos bolsos dos funcionários públicos.
Como se vê, não somos daqueles que acreditamos que Passos Coelho corte nos subsídios dos funcionários públicos por ressabiamento ou outro objectivo do género, mas por uma questão de imagem (em que a direita portuguesa é tão pródiga actualmente)junto dos portugueses e, também, das instâncias internacionais, o que não é menos grave.
A propósito de medidas para "proteger" os pobres, quero-vos contar uma história.
Em 1962, com apenas 11 anos necessitei de ser operado de urgência no Hospital de Portalegre que, na altura, pertencia à Santa Casa da Misericórdia.
Naquele hospital e naquela altura, só os considerados pobres não tinham que pagar as despesas e, como tal, os meus pais (trabalhadores rurais) que eram efectivamente pobres, viram-se obrigados a ir à Junta de Freguesia para que lhes fosse passado um "Atestado de Pobreza" (acho que era assim que se chamava na altura) para não pagarem os custos do internamento e da operação (uma pequena (grande?)fortuna para a época, presumo).
Para os meus pais isso não foi problema pois para eles, ser pobre, era até uma honra, mas para mim que já tinha outra mentalidade, foi um desespero ter que ver os meus pais passarem por tamanha humilhação.
Será que é de novo este tipo de coisas que querem trazer de volta a Portugal?
Renegociar a dívida significa ser caloteiro?
Não necessáriamente, pode significar apenas que adquirimos consciência que nos endividámos demais e que, pelas condições impostas pelos nossos credores, que voluntàriamente aceitámos, jamais teremos hipóteses de pagar aquilo que devemos.
Portanto antes que outros declarem a nossa falência (que no fundo é o que, a prazo, nos irá acontecer) devemos ser nós a procurar os nossos credores e a propor-lhes uma forma mais suave e menos penosa de saldarmos a nossa dívida, permitindo-nos assim, sobreviver e, ao mesmo tempo, honrar os nossos compromissos.
Isto é , no fundo, o que fará qualquer individuo consciente!
Então porque não o fazemos como país?
Não teremos, necessáriamente, de chegar ao pé dos nos nossos credores e dizer-lhes que, pura e simplesmente, não lhes pagamos ou que lhe iremos pagar apenas parte daquilo que lhes devemos, poderemos dizer-lhes apenas que queremos pagar-lhes aquilo que lhes devemos num prazo maior e com uma taxa de juro mais baixa.
É claro que poderá haver uma parte da nossa dívida que não é legitima, e a existir, ela não deverá ser paga, mas isso só poderá ser determinado através de uma auditoria às contas públicas, mas não existe na sociedade sequer consenso quanto à sua realização, quanto mais a quem a iria realizar!
Não tenhamos, no entanto, dúvidas que, a continuarmos assim (a contrair dívidas para pagar dívidas e, ainda por cima com juros assustadoramente acima dos nossos níveis de crescimento) não conseguiremos pagar aquilo que devemos e, nessa altura, será bem pior não só para nós, como para aqueles a quem devemos.
José António Saraiva, na edição on line do Sol, dizia ontem, a propósito do Governo de Passos Coelho:
"
Ora bem, o que se verifica é que, se tivermos em conta a verdadeira medida emblemática, com valor real, deste executivo, o Imposto Extraordinário sobre os rendimentos é que, afinal,
"moral há, não comem é todos"!
Últimamente tenho-me envolvido em algumas polémicas em blogs que defendem a privatização de tudo e mais alguma coisa mas, para não jogar no terreno do adversário, resolvi fazê-lo aqui.
Pois bem, para mim puro!
Isto é, que o publico seja público e o privado, privado... misturas é que não.
Têm que acabar de uma vez por todas as malditas parcerias público-privadas sejam elas nas auto-estradas, nas pontes, na educação ou mesmo na saúde.
É muito engraçado que quando se fala em parcerias público privadas só se fala em auto-estradas, pontes, etc, o que não acontece por acaso, mas sim por nesse ramo figurar uma empresa onde tem lugar alguém muito ligado ao Partido Socialista (preciso dizer a empresa e o nome? Se for preciso digo!)
Mas, já imaginaram, por exemplo, o que seria da maioria dos hospitais privados, dos laboratórios de análises, etc, se não vivessem em contractos com o Estado, seja como o Ministério da Sáude, seja através da ADSE?
Pois eu digo-vos, apesar de dizerem que não sei quantos por cento dos portugueses (40%?) já terem seguros de sáude, seria a falência pura e simples!
E as tais escolas que, soubemos agora, eram privadas, mas eram subsidiadas pelo estado e que, só porque lhes estava a ser diminuída a comparticipação já estavam a ameaçar fechar?
É, realmente, tempo de acabar com parcerias onde os lucros ficam para os privados e os prejuízos para o Estado.
Pois se quiserem privatizar... privatizem, mas não venham depois dizer que o estado tem que continuar a subsidiar isto e aquilo, só porque, pretensamente é serviço público!
A Direita conseguiu finalmente aquilo que sempre ambicionou depois do 25 de Abril - um presidente, uma maioria, um governo e, possívelmente, ainda levou como brinde um Fernando Nobre como Presidente da Assembleia da República.
E a esquerda?
Bom, a esquerda vai continuar como sempre, assim tipo Benfica (ou Sporting) enquanto o Futebol Club do Porto vai ganhando campeonatos atrás de campeonatos.
Eu, como adepto sportinguista, já vou perdendo a esperança de um dia vir a ser campeão e aguentar-me como campeão alguns anos seguidos!
Será que me vai acontecer o mesmo em relação à política?
É que, enquanto um clube de futebol é para toda a vida, na política há sempre uma hipótese de mudança.
Confesso que cada vez vou estando mais farto de pregar no deserto e ninguém se admire se me vir meter umas férias ou mesmo a aposentação definitiva!


Depois de ler o programa do PSD, senti uma vontade enorme de "destruir" (com argumentos) aquilo tudo!
Mas depois de ouvir a entrevista (e as rectificações feitas posteriormente) de Eduardo Catroga à RR, verifiquei que não é preciso.
Ponham o homem a falar mais 4 horas e ele encarrega-se de dar cabo daquilo tudo!
"Em relação à diminuição de 4% da Taxa Social Única (TSU) - que é agora de 23,7% - o economista explicou será feita de forma gradual, durante os quatro anos da legislatura, a começar em 2012."
entrevista de Eduardo Catroga à RR
Estes níveis de redução irão, com certeza, afectar, seguramente, a sustentabilidade da Segurança Social.
Sabemos da existência de Estudos do Banco de Portugal que sustentam que poderia ser feita a descida de 1% na Taxa Social Única, tal como defendido no memorandum da Troika, mas mesmo isso implicaria a subida de 2% ao nível do IVA.
A descida de 1% ainda será admíssivel, com uma reestruturação das tabelas do IVA, mas, mesmo assim, apenas para as empresas exportadoras e para aquelas que admitam empregados de longa duração!
PS: Para quem tem dúvidas ver aqui
Para aqueles que dizem que não existem diferenças entre PS e PSD, eu diria que enquanto um defende o Estado Social, o outro defende o Particular Social.
E, tal como disse Marcelo Rebelo de Sousa ontem na TVI , desta vez, com Pedro Passos Coelho, propõe-se ir mais longe, do que nunca foi com Santana Lopes, Durão Barroso, Cavaco ou mesmo Sá Carneiro!
“De acordo com o programa eleitoral dos sociais-democratas, hoje apresentado, "serão desenvolvidas iniciativas de liberdade de escolha às famílias em relação à oferta disponível, independentemente da natureza pública ou privada do estabelecimento de ensino".
Segundo o PSD, poderão ser exploradas novas parcerias com os sectores social e privado, "pondo em prática de modo crescente o princípio da liberdade de escolha".”
DE de hoje
O Estado é que paga
Deixó pagar
Deixó pagar
O Blog “Aventar” deu-se ao trabalho de traduzir o memorando da troika para português.
Ver aqui.
Depois de ler, independentemente de se concordar ou não com todas as medidas propostas, fica-se a lamentar que seja preciso vir alguém de fora, para "ensinar" como se propõe um programa de governo tão completo e detalhado, em contraste com as habituais generalidades dos programas dos nossos partidos políticos, pois se propõem objectivos a atingir e a forma de lá chegar. Sem dúvida uma grande lição e uma grande vergonha para os nossos partidos. TODOS!

Muito se tem especulado sobre se o PECIV chumbado no parlamento teve alguma coisa a ver com o programa de ajuda final que foi aprovado pela troika.
Uns dizem que sim, outros dizem que não (normalmente dependendo da cor política).
Não há como ver aqui o que dizem os representantes da troika.
Sócrates veio hoje anunciar as medidas que a comunicação social insistia em anunciar (segundo fontes fidedignas!) como não fazendo parte do acordo com a troika.
Afinal as medidas (PEC IV agravado) eram outras!
Só resta agora saber quais serão, mas, para isso, teremos que aguardar pelos próximos capítulos.
Mas, à partida, mais uma vez o PSD parece encostado à parede!
Antigamente, os liberais não queriam nada com o estado, diziam mesmo que ele era o causador de todos os males da sociedade.
Agora, os novos ditos cujos que pululam por aí, querem privatizar tudo, mas querem que, depois, na educação, na saúde, nos transportes públicos, etc. , seja o Estado a pagar-lhes os prejuízos.
Modernismo, ou simplesmente oportunismo?
....
"Intervenção do FMI deve levar a corte de salários no privado" diz o Sol na sua edição on-line de hoje!
Porque não, pergunto eu?
Se o que acontece no público hoje se faz através de uma taxa (ou imposto?) especial, porque não acontecer o mesmo no privado?
“O social-democrata defende a necessidade de um esclarecimento sobre o que se passou nas 48 horas que mediaram a negociação do PEC IV. “. Ver aqui
Por aqui podemos ver os “tipos” com quem temos andado.
E como diz o provérbio “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és!”
E o que somos, não aconteceu por acaso!
Já andava no ar... mas agora confirma-se.
Eles estão a indicar-nos o caminho. RUA!
Ver este artigo.
Ilustra bem a embrulhada em que estamos metidos.

A. Sócrates traiu os banqueiros ?
B. Os banqueiros trairam Sócrates ?
C. Todos trairam Portugal ?
D. Ninguém traiu ninguém ?
(Agradecem-se respostas até às 24 horas do dia 02 de Junho de 2011)

Ontem ouvi o, ainda, Primeiro Ministro (ouço sempre estas coisas importantes) e ouvi o seu bla bla e tal, sobretudo aquela do isto não se faz, nós tínhamos conseguido uma solução para Portugal, por isso apresentámos naquela altura as linhas gerais do PEC, e deitaram-nos abaixo!
Um individuo “sensato” mesmo que episodicamente possa pedir emprestado, nunca deixa que o pé seja maior que o sapato, isto é, vai vivendo de acordo com as suas possibilidades e tendo sempre o cuidado de ter sempre algum de parte para o que possa vir amanhã. Nunca será grande coisa na vida!
Um individuo “esperto”, arrisca de vez em quando, mas quando sente que está a ir longe de mais e está a por em perigo a sua sobrevivência, vai à Deco saber o que deverá fazer para decretar insolvência e resolver os seus compromissos num prazo mais longo, mas permitindo-lhe ao menos sobreviver. Um dia, solvidos os seus compromissos, melhor dias poderão vir (até lhe pode sair o euromilhões, receber uma herança ou arranjar um emprego melhor) e poderá então, finalmente, realizar alguns dos seus projectos ou, quem sabe, até todos!
Pelo contrário, o individuo “parvo”, vai vivendo ao desbarato, vai pedindo novos créditos para pagar dívidas antigas e quando vê esgotado todos os recursos normais (pais, amigos, instituições bancárias) recorre aos agiotas a um juro exorbitante acabando normalmente a ser perseguido pelos credores e pelas autoridades. Muitas vezes, sucumbe ao peso da responsabilidade e suicida-se!
Será que não deve ser isto que deve também acontecer com os países?
É que se é, Portugal está sem dúvida a fazer o papel de “parvo” e parece que nunca mais se apercebe disso.
Ou será que ainda está a tempo de abrir os olhos e “espertar”?
Enfim, responda quem souber!
Para saber como sair do “buraco” onde estamos metidos (que estou convencido é bem maior do que todos julgamos) há que saber como chegámos e quem foi que nos trouxe aqui.
Por isso de há muito que andava a preparar-me para escrever um “post” sobre o assunto, mas as águas estavam tão agitadas que julguei prudente esperar para ver.
Agora que as coisas parecem mais “calmas” e com mais tempo para poder por as ideias em ordem, julgo que é o momento ideal para o fazer.
Tenho-me como uma pessoa mínimamente informada, pois “papo” tudo quanto seja informação, desde jornais, debates a programas de informação sejam eles em que canais forem, e como funcionário público durante 36 anos (1965 a 2001) pude observar ( e sempre o fiz atentamente e com olho crítico) as formas de actuar dos diversos governos desde o tempo do fascismo até ao Governo de António Guterres!
Por isso, pude aperceber-me de, quando, de País pobre começamos a fazer “figura de ricos” e ao contrário da maioria dos comentadores e analistas económicos (na sua esmagadora maioria de direita, mesmo nos orgãos de informação considerados pluralistas) sempre discordei que isso tivesse começado com António Guterres.
A meu ver isso sempre se situou algures nos mandatos de Cavaco Silva.
Sem querer Silva Lopes acabou por dar-me o mote (ver aqui) e dar-me o encorajamento final para partir para uma aventura para a qual, à partida nem sequer sei se estou devidamente preparado.
Já sei que alguns vão dizer que Silva Lopes é um dos beneficiados do status quo (que tem não sei quantas reformas, etc, etc) mas sempre pensei que, nem sempre a situação de uma pessoa determina a sua consciência social e ele próprio no programa “Negócios da Semana” afirmou mais ou menos o seguinte (aquando da implementação do PECIII):
Bem sei que posso ser prejudicado na minha reforma, mas se vai cortar nos salários dos funcionários públicos acima dos 1 500 € porque não fazer o mesmo com as reformas?
Já agora porque não fazer o mesmo com os salários dos privados ? (pergunto eu)
Há quem diga que o estado não pode cortar nos salários dos privados?
Não pode?
Se se trata de um imposto (ou taxa) extraordinário, não pode porquê?
Adiante!
Efectivamente, foi durante os Governos de Cavaco (salvo erro com o Engenheiro Ferreira do Amaral) que se foi enchendo o País de auto-estradas, quando nem estradas em condições tínhamos que se construiu o Centro Cultural de Belém e se lançou a primeira parceria público privada (a Ponte Vasco da Gama).
Foi também com Cavaco que hoje tanto fala no mar, que se destruiu a frota pesqueira e a marinha mercante, bem como a agricultura, aproveitando os subsidios comunitários não para proceder à sua modernização mas ao abate de embarcações e ao abandono de terras até aí produtivas.
Isto, foi concerteza muito bom para nós consumidores pois permitiu-nos passar a comprar mais barato, pois havia na Comunidade quem tivesse excedentes para vender e hoje, estamos completamente nas mãos desses senhores ( basta ir à grandes superfícies e ver de onde vêm o peixe, as batatas, as cebolas, etc.etc) mas quantas falências de empresas causou e ainda está a provocar?(veja-se o caso dos produtores de leite).
Mas, sobretudo, e era aqui que eu queria chegar, porque se hoje estamos como estamos não é só devido ao peso da nossa dívida pública mas ao total da nossa dívida externa (embora saiba que muito da dívida dos particulares é constituida por dívida de empresas públicas) foi também nessa altura que se foi convencendo os portugueses de que todos podiam ter casa própria e mais, a sua própria empresa.
Quanto a mim, foi aqui, efectivamente, que tudo começou, pois tratando-se de pessoas que à partida não tinham dinheiro e não havendo poupança cá dentro ( toda a gente reclama contra a falta dela, mas será que os baixos salários dos portugueses permitem que ela exista? Sim, porque os capitalistas vão é por o dinheiro nos paraísos fiscais ou onde lhes dão maior rendimento) começámos a ir pedir emprestimos lá fora e como havia excessos de liquidez por aí, os juros até eram baixos.
O pior foi quando chegou a crise do sistema financeiro! (não será do sistema capitalista?)
Veja-se ao preço a que os juros estão últimamente.
Bem sei que grande parte da nossa dívida externa advém do facto de termos que comprar energia lá fora (petroleo e gas) mas se, isso sempre aconteceu , porque nunca caímos antes nesta situação?
Será apenas porque o petróleo está mais caro? Se isso é um facto, e se, felizmente, hoje temos um cada vez maior número de pessoas a gastar energia, também não deixa de ser verdade que, hoje em dia todos sabemos mais acerca de como a poupar, que o nosso parque industrial e automóvel são muito mais evoluídos e consomem muito menos e somos um dos países do mundo mais evoluídos em energias alternativas.
E depois o “monstro” ou tamanho do Estado, bom, não posso falar pelos outros mas no Organismo onde trabalhava, e sei porque fiz o recenseamento, no tempo de António Guterres, quando saiu do Governo o Sr Doutor deixou lá mais 15% de trabalhadores (recibos verdes).
Por isso, quando se fala de “boys” é preciso ser mínimamente honesto e ver que, sempre que há governos maioritários, as coisas funcionam da mesma maneira.
Hoje também se fala muito de medo na administração pública e na sociedade, e naquela altura?
Por tudo isto, nunca percebi muito bem, porque depois da sua derrota estrondosa em 1996 contra Jorge Sampaio(que até na sua biografia parece ter sido esquecida) em 2006 os portugueses o tivessem eleito como Presidente da República e em 2011 tivessem repetido a dose.
Seria por falta de alternativa credivel?
Bom, deixemos isso, porque em democracia, manda quem ganha!
As coisas não mudaram radicalmente desde essa altura mas também neste país onde toda a gente se conhece e onde todos somos “primos” uns dos outros (nem é preciso ser camarada de partido) e tudo funciona à base da cunha e do amiguismo, só um verdadeiro “louco” se atreveria a tentar mudar as coisas!
Por isso, com António Guterres (que era tido como “brando”), Durão Barroso, Santana Lopes (existiu?) sempre foi havendo quem se aproveitasse, e não foram só os banqueiros, os políticos(?), ou mesmo os ditos “boys”, mas também houve classes que, pelo poder que têm na sociedade foram aproveitando das “fraquezas” do sistema.
Assim à partida, lembro-me dos militares, das forças policiais, dos juízes, dos gestores das empresas publicas (mesmo das que dão prejuizo) mas não só, dos pilotos da TAP, dos maquinistas da CP, dos professores, dos médicos, eu sei lá (também não estou para puxar muito pela cabeça).
E, ao contrário de muitos, para agradável surpresa minha, que não votei nele(tinha-o como um dos mais “direitistas” do PS) José Sócrates, quando chegou ao poder parecia querer candidatar-se a ser o “louco” que iria dar a volta a isto tudo.
Nem ele sonhava o “ninho de víboras” com que se ia meter (e talvez algumas passagens do seu passado, eventualmente propositadamente deixadas na dúvida, não sei, a justiça que esclareça isso) e foi obrigado a ficar a meio caminho.
O seu segundo mandato, sem maioria, numa altura de crise nunca devia ter acontecido, como já o escrevi antes, e não era por ser ele pois estou plenamente convencido que qualquer outro teria o mesmo destino.
Mas a culpa não foi só dele, mais uma vez onde estava Cavaco Silva, que agora diz recusar-se a empossar um governo minoritário (li isso algures!) ?
Não devia ter começado a exercer a sua magistratura activa que, plos vistos, começou e acabou no passado dia 8 de Março?
João Mateus
(Este artigo é publicado propositadamente sem fotografia, para não estar a usar alheias e ter chatices e também porque não era o mais importante)
Luís Rego em Bruxelas
22/03/11 14:10
A Comissão Europeia disse hoje que as medidas que estão a ser debatidas no Parlamento "são anúncios, não são já decisões fechadas".
A declaração é de Amadeu Altafaj, o porta voz do comissário Olli Rehn, que ontem tinha concordado com o presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, ao "não ver qualquer razão que pudesse fazer com que mudássemos o programa" português.
"Repito: é apenas um anúncio, um plano, não é um decisão fechada. Estamos em diálogo [com as autoridades portuguesas]. O que é importante é ter um pacote de medidas que permita convencer não só o senhor Barroso ou o senhor Trichet mas sim todos os participantes do mercado", afirmou Altafaj, na mesma linha de um responsável da Comissão hoje citado no Diário Económico.
Altafaj adiantou que "a CE está a monitorar de muito perto a situação em Portugal mas que se trata de um debate político nacional". E defendeu a qualidade das medidas apresentadas pelo Governo porque "permitiriam à economia portuguesa cumprir objectivos acordados com parceiros europeus e restaurar confiança na economia, visto que têm natureza estrutural. Agora cabe aos actores políticos assumir as suas responsabilidades", frisou.
Portugal tem, no limite, até ao final de Abril que apresentar o programa nacional de reformas e o Programa de Estabilidade e Crescimento.
in Diário Económico
Veja-se bem o que o PSD tem andado a apregoar, para se desculpar com não aprovar o PEC IV que, afinal, seguiu o mesmo caminho que os outros, isto é, em Bruxelas apenas foram apresentadas linhas gerais, tal como tinha acontecido com os anteriores.
A dureza do PEC já é outra coisa, e com as pressões que tem tido no partido, foi fornecido a Passos Coelho o argumento que lhe faltava.
No entanto, duma coisa ninguém tenha dúvidas, com ou sem eleições as medidas serão tão ou mais duras do que estas!
De há muito que pensava escrever um post sobre o assunto do País que somos e porque chegámos até aqui, do pais onde a esperteza vale mais que a capacidade, do pais da cunha que somos, do pouco que damos e do muito que esperamos, no entanto acabei por descobrir aqui que já houve quem o fizesse melhor que eu jamais conseguiria fazer e, portanto, não resisti a transcrever aqui este artigo de Eduardo Prado Coelho antes de morrer:
Precisa-se de matéria prima para construir um País
Agora dizemos que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal
E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
-Onde a falta de pontualidade é um hábito;
-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa ?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados !
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa ?... MEDITE !
EDUARDO PRADO COELHO
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