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Terça-feira, 17 de Outubro de 2017

Os incêndios em Portugal

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Agora que tudo parece mais calmo e já estamos em Outubro, vou finalmente, também eu falar de incêndios.

 

Em primeiro lugar porque há (mais) incêndios:

 

  • Incêndios sempre houve, quer por causas naturais ou provocado pelo homem, sejam por negligência sejam deliberados (e não se pense que apenas por mão criminosa pois desde há muito que se provocam queimadas quer para limpar os lixos que se formam na terra quer, muitas vezes para queimar os detritos que resultam da limpeza das matas)

  • Porque o interior deixou de ser habitado e logo, deixou de haver hortas que, à partida tornam a progressão do fogo mais lenta, deixou de haver rebanhos que necessitavam de pastagens, deixou de haver lareiras para queimar os resíduos das limpezas que passaram, muitas vezes, a ficar nos terrenos sem que lhe fosse dado qualquer destino

  • Porque se plantaram árvores que não são resistentes aos fogos e muitas vezes sem qualquer ordenamento, isto é, em cima das estradas e das localidades e,outras vezes, até se construiram casas no meio das matas

  • Porque há mais ocupação dos espaços das matas por pessoas que desconhecem os cuidados a ter quando quando nelas se permanece ou quando por elas se circula

  • Porque o aquecimento global, ao contrário do que diz o nosso “amigo” Trump, é mesmo um facto e as estações do ano deixaram de ser o que eram e as temperaturas elevadas deixaram de existir apenas no período de verão

 

Pelo que fica dito, acho que todos acabamos por compreender que existam mais fogos, mas o que espanta é, sem dúvida o número de ignições e e área ardida.

 

Tentemos então perceber porque acontecem:

 

  1. No que diz respeito às ignições, não tenho dúvidas que na sua esmagadora maioria está a mão humana, fazendo queimadas não programadas e quando as condições atmosféricas o não aconselham, fazendo fogueiras em locais onde não deviam ser feitas, lançando pontas de cigarro de carros em andamento, lançando fogo por vingança ou qualquer outro motivo, etc. embora por vezes possam, como aconteceu em Pedrógão existir outras razões

  2. Já no que diz respeito à sua propagação sem dúvida que o factor número um é mesmo o facto de não existirem pessoas no campo, quer em número suficiente quer pela sua idade, para poderem apagar o incêndio quando do seu inicio ou, pelo menos, combatê-lo até chegarem os bombeiros. Isto era o que se fazia antigamente, agora por vezes até as que existem, limitam-se a assistir e até a filmar como ainda ontem se viu numa televisão.

  3. Por outro lado, no que diz respeito aos meios de combate disponíveis parece que, no que diz respeito aos meios terrestres (corpos de bombeiros) não só não aumentaram de acordo com as necessidades (ver aqui https://www.pordata.pt/Portugal/Corpos+de+Bombeiros-1107) como baseando-se sobretudo no voluntariado e conhecendo a propensão das pessoas de hoje para o voluntariado, não tenho dúvidas que o número de elementos é, capaz de até ter diminuído. Depois há os meios aéreos que têm que ser alugados e dependem não só da sua existência como da existência de disponibilidade financeira para o fazer. Quer num caso quer noutro, há ainda a questão da programação do pico da sua utilização estar “programada” de acordo com condições atmosféricas típicas do verão que hoje já não são exclusivas dessa altura,

 

O que fica dito, é do conhecimento de todos e não tenho dúvidas nenhumas também dos sucessivos governos, e não eram precisas comissões independentes para “descobrir” o óbvio!

 

Porque não agiram então, até agora sobre o assunto?

 

  • Alguns por uma questão ideológica que não permite que o Estado meta o nariz em certos assuntos

  • Outros porque, em Portugal; é extremamente difícil meter-se com a propriedade privada (sobretudo com a pequena propriedade) e o que há a fazer tem muito com essa área (em último caso será preciso expropriar quem não cuidando das matas prejudica os que lhe estão próximos)

  • Uns e outros porque, obrigados a cumprir as metas impostas por Bruxelas sabem que, dificilmente terão as disponibilidades financeiras necessárias para levar a cabo o que é preciso fazer.

 

 

 

 

publicado por João Mateus às 17:01
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Terça-feira, 10 de Outubro de 2017

HOJE VAMOS FALAR DE POLÍTICA A SÉRIO!

Para que não haja confusões devo, desde já dizer que, para mim, o PSD sempre foi um partido liberal e o PS o verdadeiro partido social-democrata.

 

Por este motivo, sempre foi para mim preferível um governo PS a um governo PSD, sózinho ou acompanhado.

 

Assim, nas eleições de 2015, apesar de ser o que se pode considerar um eleitor da área do Bloco de Esquerda (situo-me nesta área desde os tempos da UDP), votei PS porque, na dúvida em relação à votação no Bloco naquelas eleições, era o partido que mais garantias me dava de poder ter uma votação de permitisse correr com Passos Coelho e a PAF do governo!

 

Foi esta a segunda vez que o fiz, pois a primeira acontecera quando foi necessário correr com Cavaco!

 

Confesso também que nunca me preocupei em ler o programa do PS para aquelas eleições, pois quando voto, mais do que em programas guio-me sobretudo pelos objectivos estratégicos. Por outro lado, porque acompanhei atentamente a actuação de António Costa quer na CML quer na Quadradatura do Círculo, conhecia bem quer as suas ideias quer a sua forma de actuar (confesso que, se fosse Seguro o candidato do PS, apesar do que disse no inicio, porque considero que a sua actuação como Secretário Geral do PS, nada teve a ver com a social-democracia, nunca nele teria votado!).

 

Depois das eleições, com os resultados das mesmas e com as atitudes dos partidos da esquerda vi, com grande alegria que, finalmente, poderia ser levada a cabo em Portugal a experiência que sempre defendi, isto é um governo efectivamente de esquerda (devo confessar que não era bem esta experiência que aguardava pois sempre defendi que esse governo integrasse elementos de todos os partidos que o apoiavam, mas no momento e condições actuais, permanência no UE e no Euro, seria talvez a única possível).

 

Devo dizer que, se calhar ao contrário de muitos, o que eu esperava deste governo não era apenas a reposição do que existia antes do governo da PAF mas também o levar a cabo uma política que permitisse levar a cabo uma verdadeira política de esquerda que até aí nunca existira em Portugal, pois a que tem estado em vigor desde o 25 de Novembro resulta, sobretudo, dos entendimentos entre o PSD e o PS portanto uma política de centro-direita.

 

Acontece que, após dois anos de vida deste governo (que seriam o prazo que julgaria razoável para ser reposta a situação anterior ao “desgoverno” da PAF) e com as negociações para o orçamento de 2018 é com grande preocupação que assisto ao que daí poderá resultar, isto é, assistir a que as “recuperações” no que diz respeito, por exemplo, às progressões e à reestruturação das carreiras não sejam para todos ao mesmo tempo mas sim, e sobretudo, primeiro para aquelas classes que têm mais poder reinvidicativo, como são, por exemplo, os polícias (por motivos óbvios) os juízes, os médicos, os enfermeiros e os professores, e mesmo no plano fiscal, no que diz respeito ao IRS é ainda, e tão só uma reposição dos escalões que existiam antes, em prejuízo de uma reforma de fundo que inclua o englobamento de todos os rendimentos e faça pagar aqueles que hoje, por qualquer motivo, “fogem” ao mesmo!

 

Para já, fico-me por aqui, mas prometo voltar ao assunto, próximamente!

 

 

 

 

publicado por João Mateus às 13:56
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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2017

OU HÁ MORALIDADE OU COMEM TODOS

 

A greve deve ser um direito inalienável para todos os trabalhadores, portanto só eles e as entidades patronais devem decidir da sua justiça!

 

É exactamente por pensar assim que às greves de grupos de trabalhadores da administração pública (médicos, enfermeiros, professores, policias, juizes, etc, que normalmente nunca alinham quando as greves são gerais) , que o governo, ao qual cabe defender todos os trabalhadores deve analisar estas lutas, não podendo ceder a uns que têm maior poder reinvidicativo em prejuízo dos que o não têm.

 

Para mim, ou há moralidade ou comem todos, enquanto não houver dinheiro para, para todos, descongelar as promoções, as progressões nas carreiras, a reorganização das carreiras, o horário das trinta e cinco horas...então devem comer todos!

 

publicado por João Mateus às 12:50
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Sexta-feira, 8 de Setembro de 2017

A ESCRAVATURA MODERNA

 

 Uma das coisas que me custa mais a compreender no Portugal de hoje, militante empenhado que fui para que existissem em Portugal uma sociedade onde os direitos dos trabalhadores fossem reconhecidos, quer no que diz respeito à remuneração digna do trabalho, quer nos tempos de descanso e lazer é a ESCRAVATURA consentida que se instalou na nossa sociedade, onde os horários de trabalho apenas existem para as horas de entrada, onde se trabalha aos fins-de-semana e feriados, mesmo em actividades onde isso não se justifica, ficando sem tempo para a família e para o lazer, onde o trabalho parece ser um fim e não um meio.

Uma das virtudes do trabalho é o que, tendo-o, ele pode proporcionar exactamente no que diz respeito preenchimento das necessidades básicas (habitação, saúde, educação, etc) mas também ao lazer e ao prazer e de que serve até ganhar muito se depois não se tem tempo para o gastar?

Por outro lado, mesmo para satisfazer as necessidades básicas, o trabalho tem que ter uma certa estabilidade e a precariedade a que assistimos, não permite a que se possa constituir família ter uma casa e ter filhos etc, etc.

Por fim, ainda assistimos a que, quando alguém luta para, pelo menos manter o que tem, como acontece com os trabalhadores da Auto Europa, ainda seja criticado até pelos outros trabalhadores.

 

Como foi possível deixarmo-nos chegar a este ponto?

 

publicado por João Mateus às 13:15
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Segunda-feira, 3 de Julho de 2017

RESPONSABILIDADE POLÍTICA EXIGE-SE!

 

Em primeiro lugar devo dizer que sempre fui um defensor de um governo igual ou parecido ao que actualmente existe em Portugal, isto é um governo de maioria PS, com a participação ou com o apoio da área do que agora é o Bloco e do PCP.

 

Por este motivo, sempre votei na UDP e no Bloco, com excepção de duas vezes em que votei PS (Guterres e António Costa), uma vez para tirar de lá o Cavaco e outra para acabar com o governo de Passos e Portas.

 

Assim, devo dizer que julgo que faço parte de um reduzido grupo de portugueses que, de consciência tranquila, pode perfeitamente reclamar de tudo o que tem sido feito depois do 25 de Novembro.

 

De facto os sucessivos governos de PS, PSD e CDS são, sem dúvida, os grandes responsáveis por tudo o que se tem passado neste período onde o aparelho de Estado tem sido consecutivamente delapidado dos meios necessários para garantir o trabalho e a reforma, a saúde, a educação, a justiça e, constatacta-se agora, que mesmo a segurança do País.

 

Em tudo isto não posso deixar de considerar também o papel da CEE (depois UE) e do Euro, que nos impediram de utilizar os meios disponíveis não para nos desenvolvermos como país pobre que nos tornámos mas de acordo com padrões pedidos por países já muito mais desenvolvidos que nós.

 

Por tudo o que fica dito o que espero deste governo é que saiba inverter este caminho e tomar as medidas políticas necessárias para inverter este caminho pois, de contrário ficará, para mim, demonstrada a inutilidade de um governo com este cariz.

 

Por último quero declarar que, quando me refiro a responsabilidade política não me refiro a que este ou aquele ministro seja demitido, mas sim a tomada de todas as medidas necessárias para inverter a política que tem sido seguida até agora, que não poderão ser tomadas numa legislatura mas que já é mais do que tempo de começar a serem levadas a cabo.

 

publicado por João Mateus às 09:43
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Sexta-feira, 23 de Junho de 2017

EU, PECADOR, ME CONFESSO!

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Esta coisa dos incêndios sempre me tem feito pensar muito porque é que as coisas hoje em dia são assim, e depois da tragédia de Pedrógão fez-me pensar ainda mais.

 

De facto, antigamente, as coisas eram diferentes porquê? Em primeiro lugar, se calhar porque havia menos floresta, depois porque havia mais pessoas e pessoas com outro espírito, isto é as pessoas eram os primeiros bombeiros, muitas vezes os únicos.

 

E hoje é precisamente no problema da falta de pessoas no campo que me quero focar.

 

Não tenho dúvidas que a minha geração foi, sem dúvida a iniciadora do grande êxodo dos campos para o litoral e para a emigração!

 

E porquê? Porque na aldeia só existia trabalho na agricultura e, mesmo esse, não era para todo o ano (alguma industrialização apenas existia ainda na cintura industrial de Lisboa).

 

A emigração teve a ver além deste factor com o surgimento da guerra colonial e, aos que procuravam melhor vida, juntaram-se aqueles que dela queriam fugir.

 

Antes do 25 de Abril, a vida na terra para os pobres era uma autêntica miséria, principalmente no Alentejo onde predominava o latifúndio, começava-se a trabalhar cedo, na minha geração mal se acabava a escola , mas na geração dos meus pais muitos nem a chegaram a completar e começaram a trabalhar com sete e oito anos, sendo a alimentação a única remuneração a que se tinha direito.

 

Tudo isto para dizer que, ao contrário do que muitas vezes se quer fazer crer a fuga do interior para o litoral não começou depois do 25 de Abril, mas muito antes e, eventualmente, por o mesmo não ter acontecido muito mais cedo.

 

Quando partimos a ideia de muitos de nós era um dia “voltar à terra” e comprar uma casa onde pudéssemos passar uma velhice descansada.

 

Acontece que depois vieram os filhos que, mesmo na cidade, não arranjavam um emprego que lhes permitisse ter a vida que nós tivemos (graças ao 25 de Abril) e para os poder acompanhar e ajudar nós fomos ficando...ficando e depois vieram os netos e a maioria de nós, mesmo os que na terra compraram a casa sonhada, acabaram por ir ficando.

 

Para se compreender o fenómeno da desertificação do interior é preciso, portanto, ir muito mais longe que analisar o que se passou antes do 25 de Abril quer com os governo fascista quer com os anteriores que nada fizeram para desenvolver o país.

 

É certo que depois do 25 de Abril se foram fechando serviços mas isso aconteceu porque deixaram de existir pessoas para acorreram aos mesmos.

 

Hoje pensa-se que, recriando-os se atrairão de novo as pessoas mas eu penso que só o contrário fará com que aconteça, isto é, só quando houver pessoas é que os serviços voltarão e, quanto a isso eu estou muito pessimista, pois enquanto nós viemos à procura do emprego onde o havia na altura hoje prefere-se ficar mesmo onde ele não existe.

 

publicado por João Mateus às 11:49
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Terça-feira, 21 de Março de 2017

"Tão felizes que nós éramos" - (Clara Ferreira Alves, in Expresso, 18/03/2017)

Sem dúvida uma das melhores , senão a melhor,  discrição do que era Portugal até ao 25 de Abril.

 

 

 

Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós

Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança.

Eu não ponho flores neste cemitério.

Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza. Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós. Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo. A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano. Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos. As frutas tropicais só existiam nas mercearias de luxo da Baixa. O ananás vinha dos Açores no Natal e era partido em fatias fininhas para render e encharcado em açúcar e vinho do Porto para render mais. Como não havia educação alimentar e a maioria do povo era analfabeta ou semianalfabeta, comia-se açúcar por tudo e por nada e, nas aldeias, para sossegar as crianças que choravam, dava-se uma chucha embebida em açúcar e vinho. A criança crescia com uma bola de trapos por brinquedo, e com dentes cariados e meia anã por falta de proteínas e de vitaminas. Tinha grande probabilidade de morrer na infância, de uma doença sem vacina ou de um acidente por ignorância e falta de vigilância, como beber lixívia. As mães contavam os filhos vivos e os mortos, era normal. Tive dez e morreram-me cinco. A altura média do homem lusitano andava pelo metro e sessenta nos dias bons. Havia raquitismo e poliomielite e o povo morria cedo e sem assistência médica. Na aldeia, um João Semana fazia o favor de ver os doentes pobres sem cobrar, por bom coração.

Amortalhado a negro, o povo era bruto e brutal. Os homens embebedavam-se com facilidade e batiam nas mulheres, as mulheres não tinham direitos e vingavam-se com crimes que apareciam nos jornais com o título Mulher Mata Marido com Veneno de Ratos. A violação era comum, dentro e fora do casamento, o patrão tinha direito de pernada, e no campo, tão idealizado, pais e tios ou irmãos mais velhos violavam as filhas, sobrinhas e irmãs. Era assim como um direito constitucional. Havia filhos bastardos com pais anónimos e mães abandonadas que se convertiam em putas. As filhas excedentárias eram mandadas servir nas cidades. Os filhos estudiosos eram mandados para o seminário. Este sistema de escravatura implicava o apartheid. Os criados nunca dirigiam a palavra aos senhores e viviam pelas traseiras. O trabalho infantil era quase obrigatório porque não havia escolaridade obrigatória. As mulheres não frequentavam a universidade e eram entregues pelos pais aos novos proprietários, os maridos. Não podiam ter passaporte nem sair do país sem autorização do homem. A grande viagem do mancebo era para África, nos paquetes da guerra colonial. Aí combatiam por um império desconhecido. A grande viagem da família remediada ao estrangeiro era a Badajoz, a comprar caramelos e castanholas. A fronteira demorava horas a ser cruzada, era preciso desdobrar um milhão de autorizações, era-se maltratado pelos guardas e o suborno era prática comum. De vez em quando, um grande carro passava, de um potentado veloz que não parecia sujeitar-se à burocracia do regime que instituíra uma teoria da exceção para os seus acólitos. O suborno e a cunha dominavam o mercado laboral, onde não vigorava a concorrência e onde o corporativismo e o capitalismo rentista imperavam. Salazar dispensava favores a quem o servia. Não havia liberdade de expressão e o lápis da censura aplicava-se a riscar escritores, jornalistas, artistas e afins. Os devaneios políticos eram punidos com perseguição e prisão. Havia presos políticos, exilados e clandestinos. O serviço militar era obrigatório para todos os rapazes e se saíssem de Portugal depois dos quinze anos aqui teriam de voltar para apanhar o barco da soldadesca. A fé era a única coisa que o povo tinha e se lhe tirassem a religião tinha nada. Deus era a esperança numa vida melhor. Depois da morte, evidentemente.

 

(Transcrito de Estátua de Sal)

 

 

publicado por João Mateus às 13:52
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

PORTUGAL O PAÍS DO TENDENCIALMENTE

 

Em Portugal a SAÙDE é tendencialmente gratuita, a EDUCAÇÃO é tendencialmente gratuita, etc, etc.

Eu percebo que essas soluções derivam do facto de ter havido uma revolução que ficou a meio e foi preciso chegar a uma solução de compromisso e aquilo que, eventualmente seria para ser uma coisa acabou por ser outra isto é, quer o peixe quer a carne acabaram por não ser nem carne nem peixe.

Passados mais de 40 anos será que não era altura de nos decidirmos por o peixe passar a ser peixe e a carne passar a ser carne?

O que é que eu quero dizer com isto?

Quer dizer que devemos decidir se continuamos como estamos isto é, nada é efectivamente gratuito, mas co-pago (a despesa divide-se entre o cidadão e o Estado) ou se queremos que umas coisas sejam gratuitas (saúde, alguns níveis da educação, etc) e outras pagas. Isto é se há necessidades, umas delas próprias, outras impostas pelo Estado, que devem, ou não, ser gratuitas.

Porque a noção que tenho é que como estamos é uma confusão pegada, é tudo a reclamar (com ou sem razão) primeiro contra os políticos (que, segundo a voz corrente, são todos uns malandros, porque não fazem nenhum ou uns gatunos) e depois contra o próprio Estado comparando-nos com países que não têm a ver com o nosso quer do ponto de vista económico quer da própria organização jurídica.

É certo que, por qualquer razão que me escapa os portugueses (pelo menos desde que me conheço) nunca foram muito propensos a informar-se o que, para mim é, digamos esquisito, pois fui “criado” por um padrinho ex-combatente da primeira Guerra Mundial que, desde muito cedo me “acostumou” a ler tudo o que me aparecesse à mão, sobretudo jornais. Mas também reconheço que é extremamente dificil num país,onde reina a confusão que tenho vindo a referir, mesmo tentando manter-nos informados, perceber onde começam e acabam os nossos direitos e deveres.

Mas até para decidirmos, o que queremos temos que nos lembrar o custo/benefício das coisas e, quando se fala de custos (impostos) os portugueses fogem disso como o diabo da cruz.

Este post acabou, eventualmente, por sair confuso mas onde reina tanta confusão, se calhar era muito dificil ser mais mais claro.

VIVAM BEM E SEJAM FELIZES!

 

 

publicado por João Mateus às 17:33
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Os problemas da Democracia

Nós, com tantos problemas em “casa”, andamos muito preocupados com o que acontece no Brasil, com a burka, com os refugiados (por acaso, com esses até percebo) mas não vemos que o problema profundo é mesmo da Democracia (este tipo de democracia) ou a falta dela, que produz estes e outros tipo de “fenómenos”.

 

Não tenho muitas ilusões que posso mudar o mundo, mas tenho a certeza que posso tentar mudar o meu mundo – Portugal.

 

Ao contrário do que possa parecer, não pretendo vender a ninguém as minhas ideias mas tenho profunda convicção delas e lutarei por elas com unhas e dentes.

 

E, embora isso não queira dizer que me alheie de tudo o que se passa lá fora, não desistirei de o fazer e fá-lo-ei enquanto tiver força , autonomia financeira (que é muito importante), mãos, olhos e boca para isso!

 

Por isso não estranhem a minha forma de ser e de estar e, quando não se sentirem bem na minha companhia, façam favor!

 

publicado por João Mateus às 17:30
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Os argumentos da direita a propósitos do novo imposto sobre os imóveis

 

Estes argumentos da direita, são fàcilmente desmontáveis, Senão vejamos:

 

  1. Em primeiro lugar quando se fala de democracia é preciso questionar que representatividade têm aqueles que vêm por em causa alguém que, por mais que lhes doa foi eleito pelo povo

  2. A acreditar pelo que tem sido dito, de facto houve algo que correu mal com os socialistas pois pelos vistos a coisa tinha sido combinada. Isto é o BE ficava com o odioso da questão enquanto o PS ficava resguardainho e o BE (porquê pessoalizar em Mariana Mortágua?) e o BE, pelos vistos não se importou de assumir esse papel.

  3. Ainda havia dúvidas quanto ao que é o BE e aquilo que pretende? Como se o BE, ao contrário de outros nunca o escondeu?

  4. Não era suposto haver uma baixa de impostos? De facto era, mas a baixa refere-se ao conjunto ou apenas a um imposto? É que, de facto “Não há almoços grátis” e quando se vai repor aquilo que de facto foi “roubado” por alguém (e eu que o diga) não haja ilusões é mesmo preciso ir buscar esses recursos a algum lado e aqui é que está o busilis da questão.

  5. O busilis da questão é mesmo esse. Vamos partir do princípio que quem iria pagar o imposto em discussão seria quem teria um património imobiliário de valor superior a 500 000 € que foi o que surgiu na praça publica! Alguém ainda acredita que em Portugal (sim em Portugal) alguém que trabalhou “arduamente” ( e, sobretudo honestamente) durante uma vida inteira conseguiu reunir um património de valor igual ou superior a 500 000€?. Pois vamos a factos:

    a) O meu exemplo, 39 anos de trabalho (36 de funcionário público) 65 anos de idade, o meu “grande património” é uma casa adquirida, com recurso a empréstimo (logo com hipoteca) no valor de 90 000€ que ainda está a ser paga

    b) Mas o exemplo dos meus pais é ainda mais flagrante, trabalharam uma vida inteira, por conta própria ou por conta de outrem, começaram aos 8 e 11 anos, sem horário de trabalho e o património adquirido foi de 2 casas avaliadas pelas finanças em 9 e 18 000€, respectivamente.

    c) Quem é afinal da “classe média” em Portugal? Para mim alguém que terá um rendimento per capita por volta dos 1 200€ mensais! Logo, alguém acredita que com este rendimento alguém se possa abalançar ou ter abalançado a adquirir um património imobiliário superior a 500 000 € ? Só se foi com empréstimo e lá está, vive acima das suas possibilidades, porque o rendimento não se destina só a pagar a casa, é preciso pagar o carro, as férias, os livros para os filhos, eventualmente um curso superior, etc, etc!

 

Por tudo o que fica dito, arranjem outros argumentos e, se não os têm dediquem-se à pesca porque, enquanto políticos são, para usar um termo educado (que é aquilo que normalmente não usam) uma nódoa!

 

 

publicado por João Mateus às 17:24
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A liberdade de Imprensa

A nossa liberdade depende da liberdade de imprensa

E ela não pode ser limitada sem ser perdida

Thomas Jefferson

 

Porque partilho deste pensamento de Thomas Jefferson, hoje decidi falar-vos de liberdade de imprensa, mesmo correndo o risco de, por alguns ser apelidado de reaccionário, e não passem já ao post seguinte pois nem sequer vou tomar-vos muito tempo.

Eu sou, digamos, um fruto do fascismo, essa “coisa” que muitos querem fazer crer que nunca existiu em Portugal, mas porque fui “criado” por um padrinho que esteve presente em França na 1ª. Guerra Mundial, desde muito cedo fui habituado a ler jornais (não importava a data) e tudo quanto me aparecesse pela frente, por isso desde muito novo foi habituado a ler e logo, uma vítima da censura então vigente.

Mas da mesma maneira que fui habituado a ler também fui sendo avisado “atenção aquilo que lês, procura ler nas entrelinhas e nunca te esqueças que ler é interpretar o que está escrito”.

Por tudo isto, comecei a observar que os jornais de então se dava notícia de desgraças lá fora, já no que dizia respeito a cá as coisas eram todas maravilhosas, ao mesmo tempo que eu vivia naquilo que, para mim, era a mais perfeita miséria, os meus pais eram ambos trabalhadores rurais, não tinham nada de seu, engordava-se o porco para vender e depois íamos à mercearia, comprar o que de mais barato resultava do porco, uma sardinha tinha que chegar para dois e estávamos sempre a ver quem é que ficava com o rabo (isto porque lá em casa éramos apenas dois porque tinha amigos onde eram três e a sardinha tinha que chegar à mesma), e por aí adiante, quem viveu no Alentejo como eu nessa altura sabe muito bem do que falo!

Portanto, desde muito cedo me habituei a perceber que a imprensa era no mínimo tendenciosa para não dizer mentirosa, isto porque na altura ainda desconhecia a existência da censura, o que só veio a suceder mais tarde.

Por isso uma das coisas que saudei, no 25 de Abril,com maior entusiasmo foi ver aparecer a liberdade de imprensa, podia dizer-se tudo e mais alguma coisa.

Logo aí comecei a ver que os jornais não eram todos da mesma “cor”, mas ainda bem pois assim eu poderia ver melhor qual aquele que defendia mais os meus interesses e pontos de vista.

Portanto, do meu ponto de vista, desde que me conheço, nunca houve imprensa imparcial em Portugal e acho que quem pensa o contrário está muito enganado.

Nós é que temos que perceber quem defende o quê, mas facilitar-nos ia muito a vida se em Portugal , como em muitos países, os órgãos de informação se definissem, primeiro de um ponto de vista ideológico e depois em relação a determinados assuntos.

 

 

publicado por João Mateus às 17:15
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2015

Acusem José Sócrates, porra!

EU SEI QUE ESTA VAI SER POLÉMICA E QUE ME IRÁ FAZER PERDER ALGUNS AMIGOS

 

(Mas, como diz o meu pai, eu prefiro perder um bom amigo a uma boa resposta e, sinceramente, ainda me julgo capaz de a dar, no tempo certo e na altura certa).

 

 

Sinceramente, esta coisa do Sócrates, já começa a “chatear-me” como diz o Ricardo Araújo Pereira.

 

Para mim, TODOS os corruptos devem ir para a cadeia. Mas TODOS e vejo praí tantos a pavonearem-se, que até chateia.

 

É certo que alguns deles já presos e depois soltos porque, afinal, para condenar não basta “SUSPEITAR”, é preciso PROVAR.

 

E, para se prender, ainda que preventivamente, julgava que era preciso ter um volume tal de provas que, além do mais, até pudessem ser apresentadas aos SUSPEITO, como de tal forma irrefutáveis que se lhe pudessem sugerir como um contrapeso para a sua colaboração com a investigação.

 

Mas parece que não é assim que se procede em Portugal, parece que, afinal se prende para investigar, ainda que eu reconheça que ao permitir a prisão preventiva pelos motivos que permite (PERIGO DE FUGA, DESTRUIÇÃO DE PROVAS ou PERTURBAÇÃO DO INQUERITO) seja passível de todas as interpretações e mais algumas.

 

Mas porra, como diz Maria José Morgado os nossos procuradores não podem estar malucos e quando metem um ex-Primeiro-Ministro na prisão, ainda que seja preventiva, têm que ter na sua posse, pelo menos as tais provas irrefutáveis de que falei atrás e não meras suspeitas ou indícios disto ou daquilo.

 

Como pessoa, que julgo que sou, de bom senso, tenho aguardado tranquilamente o desenrolar do processo, mas se há tantos “entendidos” a botar opinião sobre o processo, então porque não arrogar-me do mesmo direito.

 

É que a coisa, pura e simplesmente, está a ultrapassar todos os limites do razoável. Eu sei que, para sobreviver, os jornais, revistas e televisões precisam de vender.

 

Também sei que, infelizmente, “é disto que o meu povo gosta” e como bons estudantes do mercado, se explora isso de todas as formas possíveis e imaginárias, mas que raio, há que por limites.

 

Se, como ouvi ontem na SIC Notícias até há uma Revista a Sábado (que nunca li e não tenciono ler, a não ser as capas nos quiosques e tabacarias) que se dá ao luxo de transcrever uma gravação de uma audição de José Sócrates e ninguém faz nada, uma pessoa não pode ficar indiferente e se for minimamente atenta começa a pensar se , efectivamente, o que se pretenderá, não será mesmo um julgamento na praça pública, para que depois, mesmo que não se venha a provar o que se quer, ou não se provar o suficiente para uma condenação (para se ser condenado, julgo, deve estar reunidas as tais provas irrefutáveis) a pessoa, sobretudo se for uma figura pública, ficar condenada na mesma!

 

E, prontos, eu confesso, se bem que me considere minimamente revolucionário, ainda não estou preparado para isso e porque não estou à espera de nenhum “job” com estes nem com outros senhores do poder, achei que não podia mais ficar calado!

publicado por João Mateus às 12:49
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Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2013

CHAMEM-ME O QUE QUISEREM!

 

(Eu sei que roubei este titulo da Coluna do Henrique Monteiro no Expresso e peço-lhe desculpa, mas não encontrei outra forma de melhor caraterizar o meu grito de revolta neste momento)

É que eu penso que as PENSÕES, tal como os SALÁRIOS, são invioláveis.
Em épocas de crise os problemas devem ser resolvidos com impostos (IMPOSTOS EXTRAORDINÁRIOS).
Para mim são o que melhor serve para desvalorizar os rendimentos e de forma mais justa, porque são PROGRESSIVOS (de acordo com os RENDIMENTOS de cada um) e SOBRETUDO, porque atingem TODOS e não apenas ALGUNS.

publicado por João Mateus às 13:46
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Terça-feira, 8 de Outubro de 2013

Carta Aberta aos Reformados e Pensionistas

 

NÓS PODEMOS!

 

O desgoverno que nos governa tem caído impiedosamente sobre nós, porque pensa que nós somos uma classe de “ceguinhos” que não tem poder nem se pode organizar para lhes dar uma resposta.

 

Foram os cortes nos subsídios, as contribuições extraordinárias para tudo e mais alguma coisa, os aumentos das rendas (sim porque estes aumentos atingem, sobretudo os reformados e pensionistas, pois os mais novos, têm, quase todos, casa própria) e agora, como se isso não bastasse, são os cortes nas pensões já recebidas e até, imagine-se, os cortes nas pensões de sobrevivência (já não lhes bastava roubar os vivos ainda querem roubar os mortos (sim porque as pensões de sobrevivência não resultam de uma qualquer esmola do governo mas elas são a retribuição do pagamento de toda uma vida).

 

Eles fazem tudo isto porque pensam que nós somos uma classe que neste momento jã não pode fazer greve para defender os seus direitos, mas no entanto estão muito enganados, pois muitos de nós (milhares) não só temos ainda vida activa como somos o suporte dos nossos filhos e netos (desempregados, em trabalhos precários, ou, mesmo aqueles que estão empregados a viver com um ordenado de miséria que não lhes permite ser independentes).

 

Que aconteceria se nós fizéssemos uma semana de greve (até podíamos fazer um mês!)?

 

Que aconteceria se,suspendêssemos:

 

  1. Todo o voluntariado que exercemos

  2. Todo o apoio quer monetário quer em género que damos aos nossos filhos e netos

  3. Toda a ajuda que damos quando, para os nossos filhos poderem trabalhar, tomamos conta dos nossos netos, os alimentamos, os levamos e vamos buscar à escola

  4. Todo o apoio em espécie ou em géneros, que damos ás organizações particulares de solidariedade social

  5. Contribuir, com o nosso voto para a eleição daqueles que nos enganam

 

E, no fim de tudo isto, fizéssemos uma grande manifestação em Lisboa para demonstrar a estes senhores (e até á geração que nos sucedeu) quantos somos e o quanto estamos indignados por aquilo que nos estão a fazer ou que permitem que nos façam!

 

Claro que não vai resultar se cada um por si fizer o que acima proponho, mas feito de forma organizada (todos ao mesmo tempo) teria, de certeza, um grande impacto e, para isso torna-se necessário que convençamos todas as associações que congregam os reformados (MURPIs,APREs, etc) a unirem-se nessa grande jornada de luta.

Agora, que cada um faça o que puder e quiser, o meu contributo aqui fica.

 

NÓS PODEMOS!

 

 

 

publicado por João Mateus às 12:39
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Quinta-feira, 12 de Setembro de 2013

A Ver Se Nos Entendemos

 

Por uma questão de pudor (ser juiz em causa própria) pois fui funcionário público durante trinta e seis anos e meio e me encontrar actualmente na situação de aposentado e porque sempre fui defensor de uma verdadeira convergência entre os sectores público e privado, tenho tentado manter-me afastado de quanto tem atingido quer os funcionários quer os aposentados do sector público.

No entanto, quando essas medidas atingem aquilo, para mim constitui um verdadeiro roubo (Baião Horta, mais educadamente chama-lhe confisco) confesso que não poderei calar a minha voz.

Assim o fiz quanto aos cortes nos Subsídios de Férias e de Natal (não confundir com 13º e 14ª mês) cuja posição vi reconhecida pelo Tribunal Constitucional, e vou voltar a fazê-lo desta vez quanto à questão das 40 horas, à chamada “requalificação” e aos cortes nas pensões já atribuídas (erradamente chamados de convergência).

 

40 Horas Semanais

 

Este problema é de fácil contestação e, facilmente se percebe, que não se trata de uma verdadeira igualdade pois enquanto no sector privado as 40 horas são o limite máximo e o seu ajustamento pode ser decidido por mútuo acordo na contratação colectiva, no sector público passa a ser igual para todos (com as excepções do costume, claro!).

 

Requalificação

 

Quando no sector privado um patrão quer colocar um trabalhador na prateleira, porque por qualquer motivo, ou não vai com a sua cara, ou não tem motivo para o despedir com justa causa, o que faz?

Arruma-o a um canto e inventa todos os pressupostos para que o trabalhador rescinda o contrato por sua própria iniciativa, mas durante todo esse tempo tem que lhe pagar integralmente todo o seu salário.

Ora, o Estado, querendo fazer o mesmo, “inventou” uma maneira de o fazer, que já se chamou Disponíveis, Mobilidade Especial e, agora, Requalificação. Conseguindo até, para isso, e já está em vigor sem qualquer entrave do Tribunal Constitucional) apenas lhe pagar uma parte do seu ordenado (perdendo o chamado vencimento de exercício, que equivale a, mais ou menos, 33% do salário).

Portanto, quanto a isto nada de novo, mas, agora o Governo queria mais.Queria que, ao fim de 1 ano, e não tendo sido possível a sua colocação, o trabalhador pudesse, pura e simplesmente ser despedido sem qualquer indemnização uma vez que no Estado apenas estão previstas indemnizações para as rescisões por mútuo acordo.

Pergunta-se então porque não são seguidas no Estado as mesmas regras que no sector privado?

Porque não são despedidos os trabalhadores por motivo invocável (e de possível contestação nos tribunais) e com a justa indemnização e direito a subsídio de desemprego?

 

Cortes nas Pensões

 

Como todos sabemos a convergência das pensões do sector público com o sector privado estava no acordo com a troika (que também tem um fundo ideológico e como tal, queiramos ou não, tem que ser cumprida) mas convergência é uma coisa e cortes são outra!

Efectivamente, nada justifica que ainda hoje persista em Portugal um regime de pensões públicas que é bastante favorável em relação ao do sector privado, e só os sucessivos governos que tivemos no passado (por acaso eleitos por nós) podem ser responsabilizados por isso.No entanto, cortar nas pensões já atribuídas corresponde a, usando linguagem futebolísdtica, alterar as regras depois do jogo, isto é, por em causa a questão da confiança dos contratos entre o estado e os seus cidadãos.

O que aqui se pode por em causa, são os regimes mais favoráveis aplicados no cálculo da pensão, sobretudo as percentagens e os valores que contam para o seu cálculo.

No entanto, no sector privado, também os valores que contam para o cálculo, nem sempre foram os mesmos, eles variaram (que me lembre, pelo menos 3 vezes nos últimos tempos) e em nenhuma alteração se aplicaram esses novos cálculos às pensões já atribuídas e mesmo em pensões a atribuir, foram sempre salvaguardados os direitos adquiridos até à data da alteração, sendo normalmente aplicada uma combinação dos sistemas existentes durante o tempo útil de serviço do trabalhador e, quando existia prejuízo para o futuro reformado, o regime mais favorável.

Imagine-se, o que seria hoje, se na Segurança Social, por motivos da sua sustentabilidade que, sabemos, não será superior á da CGA, se aplicasse a todas as pensões superiores a 600€ a última fórmula aplicada.

Não tenho dúvidas que isso daria origem a uma verdadeira revolução, e é por isso que tal só se aplica aos reformados do sector público, por se tratar de uma massa amorfa e de conformados, muitos deles até sentido-se culpados pela enorme campanha que contra eles tem sido desencadeada nos órgãos de comunicação social (salvo honrosas excepções)

 

 

 

publicado por João Mateus às 19:14
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013

A proposito da trapalhada das facturas

"A factura de um café que custa 60 cêntimos ou de almoço de seis euros não tem de ter o nome e o número de contribuinte do cliente. Essa obrigatoriedade só existe quando o consumidor quiser usar a despesa para conseguir um benefício fiscal, em sede de IRS, ou usar a factura para deduzir IVA. Além disso, só é obrigatório introduzir estes elementos quando o valor da factura for superior a mil euros."

Público on line de hoje

Eu sempre pensei que, quando pagamos qualquer coisa em qualquer lado, nos deve ser entregue um comprovativo daquilo que pagamos, seja esse comprovativo um talão de máquina, uma factura simplificada ou outra coisa qualquer, por isso concordo plenamente que seja obrigatória a emissão desses comprovativos.
No entanto, pedi-los ou não, deve depender da nossa própria iniciativa.

Vigiar o seu cumprimento, deve caber ao estado que o tornou obrigatório!

Quanto aos que têm medo que o estado siga os seus passos através da facturação, pois basta usar a lei, isto é, prescindir da colocação do seu número de contribuinte, a não ser em facturas superiores a mil euros, ou quando pretenda deduzir o IVA.

Assim fica, no entanto impedido de beneficiar de desconto no IRS, mas fica também desobrigado da chatice de ter, eventualmente, de guardar uma montanha de papelada durante 4 anos!
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publicado por João Mateus às 14:12
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013

Quem são, afinal, os mercados?

Duas perguntinhas inocentes de um ignorante:
1. Quem são afinal os mercados?
É que, segundo diziam Portugal não tinha acesso aos mercados porque tinha uma dívida astronómica e, portanto corria o risco de a não poder pagar.
Ora, segundo dizem a colocação de dívida de Portugal nos tais mercados, apesar de a dívida ser hoje ainda maior (120% do PIB, segundo dizem), está a correr às mil maravilhas
2. Será que, afinal, o pobrema não seria a existência de um Sarkozi em França e de três governos socialistas em Portugal, Espanha e Grécia?

A quem, na sua douta sabedoria, me puder responder a estas perguntas fico desde já agradecido

Brigadas!
publicado por João Mateus às 12:47
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012

O QUE EU PENSO DOS SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL

Existe uma grande confusão em Portugal sobre o Subsidio de Férias e de Natal.

Há quem lhes chame 13º e 14º mês, mas o que existe, de um ponto de vista legal, é um Subsídio de Férias e um Subsídio de Natal.

Quem me conhece mínimamente sabe que, de há muito, sou contra existência destes subsídios.
E porquê?
Exactamente por ser um subsídio e não uma retribuição, pois sempre fui contra qualquer tipo de subsídio, quer seja pago pelo estado ou pelos privados, porque, a qualquer momento, pode vir um qualquer governo e acabar com ele, como acontec
eu com os funcionários públicos e os reformados.

Isto quer dizer que sou, pura e simplesmente pela abolição dos mesmos?
Não!
Os subsídios de natal e de férias deviam ser extintos mas integrados na remuneração mensal a receber pelos trabalhadores ou na reforma a receber pelos pensionistas que, assim, não veriam diminuidos os seus rendimentos anuais.
Esta medida, seria benéfico para os trabalhadores e pensionistas que, de futuro, veriam os seus aumentos incidir sobre uma base maior, pois os aumentos são calculados, normalmente, com base nos vencimentos mensais e também ajudaria, sobretudo, as pequenas e médias empresas que, não se veriam assim obrigadas a reservar todos os meses uma certa verba para pagar os subsídios ou, na sua falta a ter enormes dificuldades de tesouraria nos meses em que é necessário proceder ao seu pagamento.
Por outro lado, e porque não dizê-lo, traria muito mais verdade aos salários e às pensões efectivamente pagos em Portugal.
publicado por João Mateus às 12:53
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2012

O Entalanço de Passos Coelho



De uma penada Pedro Passos Coelho entalou toda a "hierarquia" política deste País (Ele próprio,Cavaco, Portas e Seguro).
De quem terá sido a jogada de mestre?

Seja quem for, só temos de lhe agradecer por isso...porque agora é que vamos ver quem é quem!


publicado por João Mateus às 12:45
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012

Pobreza calada

 

 

"O outro País de que falam é bem diferente deste retrato castigador e ignorante. É sofrido, trabalhador, onde o quase nada que se tem foi conseguido com um enorme esforço. A miséria está sempre à espreita e quando vem esconde-se dentro de portas. Porque a última coisa que os portugueses são é piegas. A nossa pobreza envergonhada, que acaba por servir os interesses de quem não a quer combater, é o melhor exemplo de como os portugueses são em quase tudo diferentes do retrato que a nossa anafada elite faz deles."

Sem dúvida um dos melhores (ou o melhor) artigos de Daniel de Oliveira.

(como eu o percebo! Será por ser Alentejano?)

 

Ver aqui

publicado por João Mateus às 13:17
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2012

Ainda os cortes nos subsídio de férias e de natal

 

 

Em primeiro lugar devo fazer declaração de interesse neste caso, pois sou aposentado da função pública.

 

Feita esta declaração, afirmo que me sinto tremendamente revoltado por vir a ser roubado no meu subsídio de férias e de natal e, ao mesmo tempo, com a falta de solidariedade dos outros trabalhadores para com os trabalhadores do estado e os reformados, mas até nem devia estar pois já é hábito em Portugal este comportamento para com os trabalhadores do estado que, de um forma geral são vistos pelos restantes trabalhadores como “parasitas” dos seus impostos e não como úteis interlocutores no seu relacionamento com o aparelho de estado.

 

Por outro lado também não posso deixar de me confessar surpreendido com a própria passividade quer dos trabalhadores do estado e não só dos funcionários, pois a medida atinge também outros trabalhadores do estado, mas também dos reformados.

 

Aliás os sucessivos governos que têm feito cair este tipo de medidas sobre os trabalhadores sabem isso bem e não é por acaso que as tomam.

 

Que diferença para os trabalhadores e aposentados gregos que, embora concerteza sabendo que de pouco lhes iria servir, nunca desistiram de lutar pelos seus direitos!

 

Mas esta crónica, além de outros, tem também o objectivo de lançar algum “esclarecimento” pois pelos contactos que tenho tido com funcionários públicos e reformados (e tenho alguns) chego à conclusão que, na maioria, ainda não estão suficientemente esclarecidos em relação aquilo que, efectivamente, lhes vai acontecer :

 

  • Uns dizem que só vão descontar um tanto os que ganham mais de seiscentos euros

  • Outros que só os que ganham mais de 1100 € vão perder a totalidade dos subsídios

  • Outros estão convencidos que vai ser como no subsídio de natal, isto é que todos vão perder apenas uma parte dos subsídios

  • Outros, ainda, fazem uma enorme confusão entre o que recebem e aquilo que ganham (a confusão entre o que se recebe e o que se ganha sempre foi muito confusa para muita gente)

 

Pois bem eu, se me for permitido, aconselho todos a esclarecerem-se e, quando o fizerem, talvez essa “madorra” que os tem caracterizado se agite um pouco.

 

É que “A Agência Financeira fez alguns cálculos, para facilitar a consulta:

Quem tem uma remuneração base mensal (a)de 600 euros ainda não sofre qualquer corte (recebe esse mesmo valor na íntegra), e quem recebe 776,50 euros já só recebe metade de cada subsídio, ou seja, perde o equivalente a um subsídio inteiro.

Rendimento de 600 euros - recebe 600 euros de cada subsídio

Rendimento de 650 - recebe 540 euros de cada subsídio

Rendimento de 700 - recebe 480 euros de cada subsídio

Rendimento de 750 - recebe 420 euros de cada subsídio

Rendimento de 776,50 - recebe 388,20 euros de cada subsídio

Rendimento de 800 - recebe 360 euros de cada subsídio

Rendimento de 850 - recebe 300 euros de cada subsídio

Rendimento de 900 - recebe 240 euros de cada subsídio

Rendimento de 950 - recebe 180 euros de cada subsídio

Rendimento de 1.000 - recebe 120 euros de cada subsídio

Rendimento de 1.050 - recebe 60 euros de cada subsídio

Rendimento de 1.100 - recebe 0 euros de cada subsídio “

 

(Dados recolhidos aqui)

 

a) entenda-se como remuneração base os ordenados ou reformas antes dos descontos obrigatórios

 

publicado por João Mateus às 16:57
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Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

“Com papas e bolos se enganam os tolos” (ou a história do maior “roubo” de que há memória em Portugal)

Será que os cortes nos subsídios de Natal e de Férias nos funcionários públicos e nos pensionistas não resulta, afinal, de um embuste do nosso Primeiro Ministro?

 

É que os argumentos apresentados, quer pelo Primeiro Ministro na sua comunicação ao país, quer na entrevista concedida ontem à RTP pelo Ministro das Finanças, não convencem ninguém ( a não ser os tolos, claro).

 

Senão vejamos, os argumentos apresentados:

 

  1. A média dos salários na função pública ser superior à média do sector privado

  2. O corte nos subsídios dos privados não contribuir para a diminuição do défice

  3. O aumento de meia hora de trabalho por dia, apenas ser aplicado aos privados

  4. A segurança no emprego na função pública é superior á do privado

 

Analisemos então cada um dos argumentos:

 

  1. Ganhar mil euros na função pública ou na reforma não é o mesmo que ganhar mil euros no privado?

  2. O corte nos subsidios dos privados também contribui para a diminuição do défice, uma vez que a mesma pode ser feita quer pela diminuição das despesas, quer pelo aumento das receitas(senão como se justifica o corte nos subsidios de natal deste ano?)

  3. Se dessem aos funcionários publicos a hipótese de trabalharem mais meia hora por dia e, em troca, receberem o total do seu subsídio, não temos dúvidas que todos aceitariam de bom grado

  4. Como todos sabemos a segurança no emprego na função pública hoje, é mais aparente que real, pois os trabalhadores considerados excedentários podem ser colocados em mobilidade especial e passado algum tempo podem mesmo receber menos que o equivalente a um subsidio de desemprego, além de que, tal como os desempregados, se recusarem um emprego, podem ser colocados em situação de licença sem vencimento

 

Como vimos, nada disto cola.

 

Mas há coisas que colam, senão vejamos:

 

  1. Passos Coelho comprometeu-se perante os portugueses a equilibrar o orçamento cortando dois terços do lado da despesa e aumentando apenas um terço do lado da receita

  2. Passos Coelho comprometeu-se também a não equilibrar o orçamento com o recurso a receitas extraordinárias

 

Certo?

 

Comecemos então a colar as coisas:

 

  1. O corte dos subsídios de férias e de natal dos funcionários públicos e dos reformados é, pelo menos em termos formais, uma diminuição da despesa

  2. O corte nos subsídios de férias dos privados, para que revertesse para o Estado, implicaria que o mesmo tivesse que ser feito através de um imposto, e ainda por cima, de um imposto extraordinário, logo a sua entrada nos cofres do estado, seria um receita e, ainda, por cima, tratando-se de um imposto extraordinário, uma receita extraordinária.

  3. Quem nos garante, que, afinal os tão propalados cortes na Educação, na Saúde, e na Segurança Social (daí a necessidade de meter os reformados no barco) não são afinal , na sua esmagadora maioria, resultado não de eliminação de gorduras, ou dos tais consumos intermédios (esferográficas, papel, etc) tão insistentemente falados, mas do maior “roubo” de que há memória em Portugal pois não nos lembramos de, mesmo em tempos de crise, nenhum governo que se tenha “atrevido” a fazer um “ assalto” tão grande aos bolsos dos funcionários públicos.

     

Como se vê, não somos daqueles que acreditamos que Passos Coelho corte nos subsídios dos funcionários públicos por ressabiamento ou outro objectivo do género, mas por uma questão de imagem (em que a direita portuguesa é tão pródiga actualmente)junto dos portugueses e, também, das instâncias internacionais, o que não é menos grave.

 

publicado por João Mateus às 13:42
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Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011

A propósito de medidas para "proteger" os pobres

 

 

A propósito de medidas para "proteger" os pobres, quero-vos contar uma história.

 

Em 1962, com apenas 11 anos necessitei de ser operado de urgência no Hospital de Portalegre que, na altura, pertencia à Santa Casa da Misericórdia.

 

Naquele hospital e naquela altura, só os considerados pobres não tinham que pagar as despesas e, como tal, os meus pais (trabalhadores rurais) que eram efectivamente pobres, viram-se obrigados a ir à Junta de Freguesia para que lhes fosse passado um "Atestado de Pobreza" (acho que era assim que se chamava na altura) para não pagarem os custos do internamento e da operação (uma pequena (grande?)fortuna para a época, presumo).

 

Para os meus pais isso não foi problema pois para eles, ser pobre, era até uma honra, mas para mim que já tinha outra mentalidade, foi um desespero ter que ver os meus pais passarem por tamanha humilhação.

 

Será que é de novo este tipo de coisas que querem trazer de volta a Portugal?

publicado por João Mateus às 16:39
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

Renegociar a dívida é ser caloteiro?

Renegociar a dívida significa ser caloteiro?

 

Não necessáriamente, pode significar apenas que adquirimos consciência que nos endividámos demais e que, pelas condições impostas pelos nossos credores, que voluntàriamente aceitámos, jamais teremos hipóteses de pagar aquilo que devemos.

 

Portanto antes que outros declarem a nossa falência (que no fundo é o que, a prazo, nos irá acontecer) devemos ser nós a procurar os nossos credores e a propor-lhes uma forma mais suave e menos penosa de saldarmos a nossa dívida, permitindo-nos assim, sobreviver e, ao mesmo tempo, honrar os nossos compromissos.

 

Isto é , no fundo, o que fará qualquer individuo consciente!

 

Então porque não o fazemos como país?

 

Não teremos, necessáriamente, de chegar ao pé dos nos nossos credores e dizer-lhes que, pura e simplesmente, não lhes pagamos ou que lhe iremos pagar apenas parte daquilo que lhes devemos, poderemos dizer-lhes apenas que queremos pagar-lhes aquilo que lhes devemos num prazo maior e com uma taxa de juro mais baixa.

 

É claro que poderá haver uma parte da nossa dívida que não é legitima, e a existir, ela não deverá ser paga, mas isso só poderá ser determinado através de uma auditoria às contas públicas, mas não existe na sociedade sequer consenso quanto à sua realização, quanto mais a quem a iria realizar!

 

Não tenhamos, no entanto, dúvidas que, a continuarmos assim (a contrair dívidas para pagar dívidas e, ainda por cima com juros assustadoramente acima dos nossos níveis de crescimento) não conseguiremos pagar aquilo que devemos e, nessa altura, será bem pior não só para nós, como para aqueles a quem devemos.

 

 

publicado por João Mateus às 13:42
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

Bons Passos?

José António Saraiva, na edição on line do Sol, dizia ontem, a propósito do Governo de Passos Coelho:

 

""CONCLUINDO, este Governo foi ao encontro do senso comum: de uma certa justiça social (‘ou há moral ou comem todos’), da necessidade de poupar, da obrigatoriedade de emagrecer o Estado."

 

 

Ora bem, o que se verifica é que, se tivermos em conta a verdadeira medida emblemática, com valor real, deste executivo, o Imposto Extraordinário sobre os rendimentos é que, afinal,


"moral há, não comem é todos"!

 

publicado por João Mateus às 13:38
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011

A propósito de público e privado.

Últimamente tenho-me envolvido em algumas polémicas em blogs que defendem a privatização de tudo e mais alguma coisa mas, para não jogar no terreno do adversário, resolvi fazê-lo aqui.

 

Pois bem, para mim puro!

 

Isto é, que o publico seja público e o privado, privado... misturas é que não.

 

Têm que acabar de uma vez por todas as malditas parcerias público-privadas sejam elas nas auto-estradas, nas pontes, na educação ou mesmo na saúde.

 

É muito engraçado que quando se fala em parcerias público privadas só se fala em auto-estradas, pontes, etc, o que não acontece por acaso, mas sim por nesse ramo figurar uma empresa onde tem lugar alguém muito ligado ao Partido Socialista (preciso dizer a empresa e o nome? Se for preciso digo!)

 

Mas, já imaginaram, por exemplo, o que seria da maioria dos hospitais privados, dos laboratórios de análises, etc, se não vivessem em contractos com o Estado, seja como o Ministério da Sáude, seja através da ADSE?

 

Pois eu digo-vos, apesar de dizerem que não sei quantos por cento dos portugueses (40%?) já terem seguros de sáude, seria a falência pura e simples!

 

E as tais escolas que, soubemos agora, eram privadas, mas eram subsidiadas pelo estado e que, só porque lhes estava a ser diminuída a comparticipação já estavam a ameaçar fechar?

 

É, realmente, tempo de acabar com parcerias onde os lucros ficam para os privados e os prejuízos para o Estado.

 

Pois se quiserem privatizar... privatizem, mas não venham depois dizer que o estado tem que continuar a subsidiar isto e aquilo, só porque, pretensamente é serviço público!

 

publicado por João Mateus às 16:39
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

E agora?

A Direita conseguiu finalmente aquilo que sempre ambicionou depois do 25 de Abril - um presidente, uma maioria, um governo e, possívelmente, ainda levou como brinde um Fernando Nobre como Presidente da Assembleia da República.

E a esquerda?

Bom, a esquerda vai continuar como sempre, assim tipo Benfica (ou Sporting) enquanto o Futebol Club do Porto vai ganhando campeonatos atrás de campeonatos.

Eu, como adepto sportinguista, já vou perdendo a esperança de um dia vir a ser campeão e aguentar-me como campeão alguns anos seguidos!

Será que me vai acontecer o mesmo em relação à política?

É que, enquanto um clube de futebol é para toda a vida, na política há sempre uma hipótese de mudança.

Confesso que cada vez vou estando mais farto de pregar no deserto e ninguém se admire se me vir meter umas férias ou mesmo a aposentação definitiva!

publicado por João Mateus às 16:14
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Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Está tudo “feito” para Passos Coelho ganhar as eleições!

 

Está tudo “feito” para Passos Coelho ganhar as eleições!
Já repararam na cobertura que as televisões (principalmente os canais por cabo) lhe estão a dar?
Confesso que cada vez vou percebendo melhor como é que num País como Portugal com reformas de miséria e uma desigualdade na distribuição da riqueza sem paralelo no mundo ocidental, as pessoas, normalmente, votam maioritariamente a direita.

 

publicado por João Mateus às 12:55
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

Não é preciso destruir o programa do PSD. Eduardo Catroga encarrega-se disso!

 

 

Depois de ler o programa do PSD, senti uma vontade enorme de "destruir" (com argumentos) aquilo tudo!

 

Mas depois de ouvir a entrevista (e as rectificações feitas posteriormente) de Eduardo Catroga à RR, verifiquei que não é preciso.

 

Ponham o homem a falar mais 4 horas e ele encarrega-se de dar cabo daquilo tudo!

publicado por João Mateus às 17:17
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A redução da Taxa Social Única não vai afectar a sustentabilidade da Segurança Social?

"Em relação à diminuição de 4% da Taxa Social Única (TSU) - que é agora de 23,7% - o economista explicou será feita de forma gradual, durante os quatro anos da legislatura, a começar em 2012."

 

entrevista de Eduardo Catroga à RR

 

Estes níveis de redução irão, com certeza, afectar, seguramente, a sustentabilidade da Segurança Social.

 

Sabemos da existência de Estudos do Banco de Portugal que sustentam que poderia ser feita a descida de 1% na Taxa Social Única, tal como defendido no memorandum da Troika, mas mesmo isso implicaria a subida de 2% ao nível do IVA.

 

A descida de 1% ainda será admíssivel, com uma reestruturação das tabelas do IVA, mas, mesmo assim, apenas para as empresas exportadoras e para aquelas que admitam empregados de longa duração!

 

 

PS: Para quem tem dúvidas ver aqui

 

 

publicado por João Mateus às 12:04
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